Armênia

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País


Sinopse

Assim que Anna, sua filha cardiologista, lhe diz que precisa operar o coração, o velho Barsam foge para sua terra natal, a Armênia. Sem saber onde ele está, nem falando a língua local, Anna vai procurá-lo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/12/2007

Francês de origem armênia, o cineasta Robert Guédiguian encara suas raízes e realiza um original mergulho na realidade contemporânea do país de seus ancestrais. Nem drama, nem documentário, nem comédia nem comentário social, o filme se equilibra numa série de vertentes, explorando caminhos inusitados, como a própria vida. É notável como o engajado diretor, escorado em sua mulher, esplêndida intérprete e co-roteirista, Ariane Ascaride, dá novos sentidos ao que se pode considerar um trabalho político – como tantos outros que ele assinou antes, como O Último Mitterrand (2005) e o poderoso A Cidade Está Tranqüila (2000).

A primeira originalidade está em unir o intimista ao social sem costuras visíveis. Anna (Ariane) é uma cardiologista experimentada, única filha do viúvo Barsam (Marcel Bluwal). Quando seus exames demonstram a necessidade de uma cirurgia cardíaca, o velho volta secretamente à sua aldeia natal, na Armênia. À filha resta pouco mais do que segui-lo, ainda que não saiba exatamente onde procurá-lo.

Confiada a Sarkis (Simon Abkarian), que deverá servir-lhe como guia nessa nova realidade, Anna descobre um território estranho, especialmente para alguém que nem mesmo conhece a língua de seus pais. Ainda que só se comunicando com os raros que falam francês, Anna vira-se relativamente bem, particularmente depois de aceitar os serviços de um insistente motorista de táxi.

Através de personagens ambíguos, como o próprio Sarkis, o general-herói Yervanth (Gérard Meylan), a manicure Schaké (Chorik Grigorian) e o enfermeiro Simon (Jalil Jespert), o enredo se apossa dos aspectos não raro contraditórios do país em que Anna deve temporariamente viver. Contrabando, exploração de mulheres, pendências históricas com os turcos, conflitos de identidade pontuam a trajetória de Anna, que, num determinado momento mostra habilidades inesperadas – como o manejo de armas.

Do alto de seus saltos-agulha, Ariane Ascaride compõe uma heroína complexa e mesmo divertida. Com certeza, seu comportamente não é previsível, detalhe que sinaliza o frescor de visão que Guédiguian continua a manter. O melhor a fazer é segui-lo e encontrar atalhos nos caminhos em que nos conduz.

Ao núcleo habitual de seus filmes, como os atores Meylan e Jean-Pierre Darroussin (fazendo o papel de marido de Anna), o diretor acrescentou ainda Madeleine Guédiguian, filha do casal, e que na tela interpreta também a filha de Anna.

Neusa Barbosa


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