O Reino

Ficha técnica


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País


Sinopse

Quando acontece um incidente de proporções internacionais na Arábia Saudita, um grupo de agentes do FBI é mandado para investigar. Ao chegar lá, são recebidos por autoridades locais que suspeitam deles e não querem a ajuda de americanos.


Extras

- Comentários do diretor Peter Berg

- Cenas deletadas

- Linha do tempo

- Apresentação dos personagens


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/11/2007

No rol dos filmes críticos à política norte-americana no Oriente Médio, O Reino é, sem dúvida, um dos mais violentos dos últimos anos. Inspirado numa história real, com roteiro assinado por Matthew Carnahan (o mesmo de Leões e Cordeiros, de Robert Redford), a produção busca esmiuçar o conturbado relacionamento entre as duas culturas, seja pelo impetuoso e arrogante comportamento dos americanos, seja pelo caráter bélico-terrorista relegado aos árabes no enredo.

Assinado por Peter Berg, que sempre fez papéis secundários em séries de TV e, agora, assume uma carreira de cineasta (é dele o desastroso Bem-Vindo à Selva), o filme tem início com um curioso resumo do que representa a Arábia Saudita atualmente. De forma sucinta – e um pouco simplista -, mostra um reino dominado pelas regras duras do islamismo, avesso a tudo o que é estrangeiro. Tudo isso, claro, até encontrarem petróleo – enquanto procuravam por água – e ter como principal apoiador os EUA.

Berg e Carnahan deixam claro que a Arábia Saudita é o mesmo "país amigo" do qual saíram Osama Bin Laden e 15 de dos 19 terroristas que cometeram os atentados do dia 11 de setembro. Tal como é aquele país cuja família real governa sem muito apreço pelos direitos humanos. Uma visão parcial, evidentemente tendenciosa, que ratificará as ações no desenrolar da trama.

Depois da apresentação contextual, segue-se um sangrento ataque terrorista sobre o Complexo Residencial de Al Rahmahos, onde vivem trabalhadores americanos de companhias petrolíferas. O incidente obriga o FBI a enviar uma equipe de peritos para descobrir quem está por trás das brutais mortes (atira-se até em crianças, numa das cenas mais chocantes).

Nos Estados Unidos, são destacados para a empreitada o agente especial de Ronald Fleury (Jamie Foxx, protagonista de Ray), a doutora Janet Mayes (Jennifer Garner), tal como especialista em desastres, Grant Sykes (Chris Cooper), e Adam Leavitt (Jason Bateman) - que é judeu e enfrenta problemas antes mesmo de embarcar. O grupo chega ao local com a permissão do príncipe (Omar Bedouni), mas a polícia e o exército local não querem colaborar. Apenas o coronel Faris Al-Ghazi (Ashraf Barhom) decide romper algumas regras em benefício do grupo.

Por seu conteúdo violento - a linguagem também é extremamente agressiva - o filme mostra personagens fortes, motivados pela loucura e o sentimento de vingança. As boas performances do elenco tornam a produção mais verossímil, dentro de uma narrativa alinhada à voraz crítica de Matthew Carnahan, junto a excelentes cenas de ação.

No entanto, a produção peca em certos pontos, principalmente ao mostrar, sem qualquer pudor, uma imagem mesquinha e desagradável dos árabes para enaltecer os agentes americanos. Mais infelizes são as saídas fáceis e um tanto arbitrárias para resolver os conflitos mais complexos (quando o grupo conta com a ajuda de uma criança, simpática a eles por ganhar um pirulito em cenas anteriores). No fim, O Reino é indicado para quem tem estômago forte e interesse pelos conflitos no Oriente Médio.

Rodrigo Zavala


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