O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford

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Locais de filmagem


Sinopse

Bandido que já virou lenda, Jesse James (Brad Pitt) espalha um rastro de medo e admiração por onde passa. Um dos integrantes de seu bando, Robert Ford (Caseu Affleck), decide matá-lo.


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Crítica Cineweb

22/11/2007

Brad Pitt venceu um prêmio no Festival de Veneza 2007 por sua interpretação do lendário gângster Jesse James. Premiação justa, mas que cairia tão bem, senão melhor ainda para Casey Affleck, que vive o papel de Robert Ford, o assassino de Jesse. O filme do neozelandês Andrew Dominik passa longe de um faroeste convencional. Seu foco é iluminar a tensão entre as figuras do traidor, do bandido e do herói, as múltiplas faces dos mitos.

Partindo do livro de Ron Hansen, Dominik cria um personagem sensacional para Affleck (irmão de Ben Affleck), especulando como Ford teria elaborado a decisão de matar Jesse, depois de tê-lo cultuado como ídolo – dando razão ao escritor Oscar Wilde, segundo quem destruímos aquilo que amamos.

A interpretação nuançada de Casey conduz a contento essa expectativa da espera do assassinato – que não é nenhuma surpresa, a partir do título -, mantendo o fio esticado. Uma tensão para dentro que se acredita, às vezes, ser possível cortar com faca, tão elétrica se mostra na tela.

Casey constrói uma postura encolhida, um tom de voz “quebrado”, toda uma linguagem corporal que diz: “sou desengonçado, desencontrado, não me amo”. Jesse (Pitt) é o extremo oposto, o exemplo mais bem-acabado de autoconfiança, o bandido sedutor, a celebridade dos primórdios da mídia (na época, meados do século XIX, construída por folhetos e livretos em que a imaginação quase sempre ultrapassava muito o respeito aos fatos em favor da lenda).

A tragédia de Bob Ford não é só a traição a seu ídolo – cuja necessidade, até por sobrevivência, ele é obrigado a encarar – como aquilo que ele irá aprender a chamar de ingratidão. Ford esperava reconhecimento público mas só obtém o desprezo generalizado. Finalmente, colhe uma morte também jovem, também violenta. E que, como a morte de James, tem muito a dizer sobre a índole violenta e armamentista da América.

Vivendo uma esplêndida maturidade criativa, Brad Pitt mantém à altura a ambigüidade do bandido um tanto ciclotímico, capaz de passar em segundos da maior amabilidade a uma explosão da brutalidade mais insana. “Não me diga o que não devo fazer”, adverte ferozmente um parceiro de crime no momento em que este lhe pede que não mate uma vítima.

O filme é um faroeste completamente atípico, distanciado na narração e que foge dos clichês e mesmo das regras do gênero – não há um único duelo. A atenção está mais voltada aos sentimentos dos personagens, sempre à flor da pele por não estarem sujeitos às convenções sociais. A interpretação refinada do grande elenco masculino, onde se destacam também Sam Rockwell e Sam Shepard, é uma das jóias do filme.

O efeito da lente que desfoca os cantos da tela, só deixando nítido o centro, é sintomático dessa visão sem contexto, como a mira de uma arma. A câmera é clássica, com muitos closes. A fotografia sóbria é assinada por Roger Deakins, habitual colaborador dos irmãos Joel e Ethan Coen. Sólida também a trilha musical de Nick Cave e Warren Ellis.

Neusa Barbosa


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