Tropa de Elite

Ficha técnica


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País


Sinopse

1997. Prepara-se uma nova visita do papa João Paulo II ao Brasil. Preocupados em "limpar" o Rio de Janeiro, as autoridades cariocas mandam o BOPE - Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio - descer o pesado braço nos morros. Quem comanda a operação, que tem carta branca para matar e torturar, é o capitão Nascimento (Wagner Moura).


Extras

- Entrevistas com José Padilha (diretor), Marcos Prado (produtor), Wagner Moura (ator), André Ramiro (ator), Caio Junqueira (ator), Fernanda Machado (atriz), Bráulio Montovani (roteirista), Rodrigo Pimentel (roteirista), Lula Carvalho (diretor de fotografia e câmera), Fátima Toledo (preparadora de elenco), Tulé Peake (diretor de arte), Claudia Kopke (figurinista), Bruno Van Zeebroeck (supervisão de efeitos especiais)

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- Trailers


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/10/2007

É chover no molhado dizer que este será o filme do ano. Já é. Independentemente de suas qualidades e defeitos, de um vazamento de milhares de cópias piratas que o tornaram objeto de discussões acaloradas pela imprensa, o filme de José Padilha já ganhou status de cult. Fica difícil abaixar a poeira para enxergar com serenidade aquilo que ele trata, ainda mais que sua chegada precipitada às salas de cinema só vai incendiar ainda mais a polêmica. Polêmica, aliás, que é bem real.

Há muitos temas dentro de Tropa de Elite, que se inspira, mas não é uma adaptação, no livro Elite da Tropa, de Rodrigo Pimentel (um dos roteiristas do filme), André Baptista (ex-integrantes do BOPE, o controverso Batalhão de Operações Especiais da PM carioca) e Luiz Eduardo Soares (ex-secretário da Segurança Pública do Rio). Violência policial, a criação de uma elite ainda mais violenta dentro do batalhão que sobe aos morros cariocas para enfrentar o tráfico, a conivência das ONGs com o tráfico para poderem instalar-se nas favelas e realizar um trabalho social, a conivência da classe média com a exploração brutal de crianças a partir do momento em que consome drogas no asfalto. Material explosivo, de algum modo já visitado pelo cinema brasileiro recente, em filmes como Cidade de Deus, Quase Dois Irmãos, É Proibido Proibir e o documentário Notícias de uma Guerra Particular, entre outros.

Então, qual o diferencial de Tropa de Elite? O ponto de vista do narrador, que é o da polícia. No caso, o capitão Nascimento (Wagner Moura, em desempenho arrepiante). Ele interpreta um policial que acredita no seu trabalho e que tem a chance de uma promoção, tornando-se comandante da tropa que sobe o morro e fica cara a cara com esta guerra que a maioria das pessoas fora dali só conhece pelos noticiários.

A fama do BOPE é tão sinistra quanto a dos comandos do tráfico. Quando o batalhão sobe, a polícia convencional sai. O BOPE só entra em ação para matar, como avisa seu macabro hino de guerra: : “Homem de preto, qual é a sua missão? É invadir favela, é deixar corpo no chão”. O treinamento de seus integrantes não fica atrás em sadismo, calcado possivelmente no dos fuzileiros navais norte-americanos.

As cenas de tortura não são menos contundentes, a mais comum sendo a do saco plástico – um quase sufocamente dos suspeitos, para que revelem os paradeiros de seus chefes, isto após espancamentos ferozes.

Tropa de Elite põe o dedo na ferida desta guerra com sede de adrenalina. Padilha, o premiado diretor do ótimo Ônibus 174, filma com o dedo no gatilho, na mesma velocidade que a descida do protagonista Nascimento ao inferno. Ele vai progressivamente perdendo o controle e o sono, consumindo remédios para contornar sua síndrome de pânico. Um processo semelhante de brutalização acaba por atingir seus subordinados, como os até então serenos Neto (Caio Junqueira) e André (André Ramiro).

Não há trégua, nem compaixão – por isso, alguns acusam o filme de falta de distanciamento crítico, de espaço para a reflexão. A idéia é não deixar o espectador respirar, levá-lo junto nessa viagem infernal, induzindo-o a reagir emocionalmente a essa paisagem devastada de ética para que depois ele se interrogue, como Nascimento – mas no que estamos todos nós nos transformando? Ponto para reflexão inclusive de quem, inadvertidamente ou não, aplaude as barbaridades que a polícia comete em nome da lei.

Neusa Barbosa


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