Aboio

Ficha técnica

  • Nome: Aboio
  • Nome Original: Aboio
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2006
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 73 min
  • Classificação: Livre
  • Direção:
  • Elenco:

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País


Sinopse

Vencedor da competição brasileiro do Festival É Tudo Verdade 2005, este documentário recupera as memórias dos tropeiros que viajam entre Minas, Pernambuco e Bahia.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

13/09/2007

Arrojado na linguagem, o premiado documentário de Marília Rocha recupera o universo arcaico e masculino, dos tropeiros de gado que circulam, agora cada vez menos, entre Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A diretora torna vívidas as memórias destes velhos tangedores de gado quase todos aposentados, evidenciando sua ligação visceral com os bois através do curioso paralelo entre as imagens das peles de homens e animais.

Um close dos olhos de um tocador e de um boi completam a evidência desta inquietante correspondência entre as espécies. O tangedor encarna essa fusão na própria pele, aliás, vestindo jalecos e chapéus de couro de boi para enfrentar os espinheiros da caatinga que é seu campo de trabalho. Difícil dizer onde termina um e começa o outro.

As descrições dos homens sobre seu trabalho são de comovente ternura às vezes. Perfis endurecidos pelo sol, mãos calejadas pela lida e intimidade com arreios e chicotes, eles se derretem ao contar que conhecem cada um de seus animais pelo nome e que estes respondem ao chamado, como cãezinhos de estimação. Esse mistério do entendimento entre homem e animal, explicitado assim com essa simplicidade apenas aparente, confere ao documentário uma aura que não é fácil de explicar. O Grande Sertão Veredas de João Guimarães Rosa explode concreto na tela, ainda mais que um dos locais visitados na filmagem é justamente a Cordisburgo que é terra natal do escritor.

Movido apenas pelos relatos dos homens, que entoam seus versos e aboios muito individuais – este é mister que não se aprende, é dom, ensina um deles -, Aboio resulta muito sensorial, tirando o máximo proveito da bela fusão entre as imagens da câmera DV e do Super-8 – cujo granulado fornece a matéria-prima ideal para os sonhos e memórias dos condutores da história. Não há uma narrativa muito firme, propriamente. Sabiamente, há uma referência histórica. Um dos depoimentos recorda que as raízes da condução do gado viriam da antigüidade, do vale do Uhr, atravessando o Egito, a Grécia (Sócrates, aliás, teria sido também pastor, além de filósofo). As modas entoadas pelos boiadeiros brasileiros viriam da Península Ibérica, com profunda influência dos mouros que a dominaram por séculos. Tudo isso se soma no retrato dos velhos tocadores de bois, hoje desaparecendo por conta do avanço do agronegócio e das técnicas mais modernas do manejo do gado, em fazendas cercadas. Aboio faz sua parte ao escrever uma história que, por sua oralidade, correria o risco de desaparecer de todo em futuro próximo.

Neusa Barbosa


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