O Vigarista do Ano

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Sinopse

Clifford Irving (Richard Gere) é um escritor em crise financeira. Até que ele tem uma grande idéia: escrever a biografia do bilionário recluso Howard Hughes. Ele convence uma editora de que tem a autorização de Hughes para escrever. Depois, precisa sustentar a mentira.


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Crítica Cineweb

13/09/2007

O ator Richard Gere deixa de lado a pose de galã para assumir o papel de Clifford Irving, o escritor que quase conseguiu armar a maior fraude editorial do século XX – uma biografia, supostamente autorizada, do bilionário Howard Hughes (1905-1976).

A incrível história real é contada neste filme, que tem a direção do sueco Lasse Hallström e roteiro de William Wheeler. O roteirista adapta livro do próprio Irving (“The Hoax”) sobre a maior aventura de sua vida, que lhe custou alguns meses de cadeia, entre 1972 e 1973.

Com cabelo escurecido e encaracolado e usando um figurino simplório, o habitualmente sofisticado Gere encarna Clifford Irving num momento crítico de sua carreira de escritor. Seu último livro acaba de ser recusado por uma executiva (Hope Davis) da poderosa editora McGraw Hill. Ele está sem dinheiro e sem saber o que fazer do futuro.

Neste momento de crise, o escritor inventa de fazer uma biografia sobre ninguém menos do que o bilionário Howard Hughes. Como o famoso aviador, industrial, produtor e diretor de cinema vive totalmente isolado, sem falar com ninguém há anos, Irving acha que pode convencer uma editora que tem sua permissão para escrever o livro. Para isso, aprende a imitar com perfeição a caligrafia de Hughes em cartas, usando como modelo correspondência do bilionário que aparecera numa revista.

A idéia, que parecia maluca, toma forma. Usando seus contatos na McGraw Hill, Irving convence-os de que tem Hughes nas mãos. Lábia não lhe falta. Ele consegue assinar um contrato que lhe dá US$ 1 milhão, sendo que parte do dinheiro seria supostamente para o bilionário. A revista Life também entra na jogada, para ter a permissão de publicar trechos da biografia.

Um esquema tão complicado exige a participação de cúmplices. Irving conta com a ajuda de sua mulher, a pintora Edith (Marcia Gay Harden, de Pollock), e de um amigo, Dick Suskind (Alfred Molina, o vilão de Homem-Aranha 2).

Irving foi capaz de sustentar a história por meses, enganando seus editores com cartas falsificadas e conversas telefônicas – nas quais, imitava a voz de Hughes. O engodo finalmente foi desmascarado pelo próprio bilionário, que veio a público num momento em que o livro já tinha sido impresso. Irving, sua mulher (que viajara à Suíça para receber o dinheiro) e Suskind foram processados e a maior parte do dinheiro, devolvido.

Ironicamente, depois de cumprir pena, a carreira de Irving como escritor teve mais sucesso. Ele escreveu alguns livros de boa vendagem, como “Trial” e “Tom Mix and Pancho Villa”, além da própria história da fraude, contada em “The Hoax” (título original deste filme).

Um detalhe curioso lembrado no filme é que esta história pode ter tido alguma relação com o escândalo de Watergate. A famosa invasão da sede do Partido Democrata em Washington, em 1972, teria sido ordenada pelo então presidente Richard Nixon, entre outras coisas, por ter achado que seus concorrentes já conheciam informações secretas que poderiam estar no livro. A pior delas, que seu irmão teria uma vez recebido propina de Howard Hughes em seu benefício.

A interpretação de Gere é saborosa e sua química com Molina uma das boas razões para se assistir a este filme, que mantém o equilíbrio entre a ironia e a simpatia por seus anti-heróis. Mesmo sabendo que tudo não pode dar certo no final, Hallström mantém um certo suspense. Afinal, todos querem saber até onde Irving vai poder levar adiante sua grande mentira.

Neusa Barbosa


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