A Noiva Estava de Preto

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Crítica Cineweb

13/01/2003

Em 1964, depois de romper seu casamento com Madeleine Morgenstern, filha de um dos principais distribuidores cinematográficos parisienses, com quem teve duas filhas, François Truffaut acabou se reaproximando e reaquecendo um antigo romance com Jeanne Moreau. Recém-separada do costureiro Pierre Cardin, a atriz também sucumbiu ao sedutor cineasta com quem já havia passado momentos apaixonados durante as filmagens de Jules e Jim.

Truffaut queria homenagear a musa dedicando-lhe um filme à sua altura. Ela seria a principal protagonista de uma história policial pela qual era fascinado desde a adolescência, A Noiva Estava de Preto, que lia escondido da mãe. O livro, do escritor nova-iorquino William Irish (pseudônimo usado por Cornell Woolrich, o mesmo autor de A Sereia do Mississipi, também filmado por Truffaut), conta a história de uma obcecada e misteriosa mulher, vestida sempre de negro, que deixa cadáveres masculinos em seu caminho. A motivação dos crimes, que convém não revelar tão de imediato, só será conhecida quase ao final da história, encerrando um plano ardilosa e pacientemente arquitetado por uma mulher transtornada pela sede
de vingança.

Mas por problemas na negociação dos direitos autorais da história e com a produção, o projeto só foi retomado em 1967 quando Truffaut acabava de publicar seu magnífico livro de entrevistas com o diretor britânico Alfred Hitchcock. A paixão pelo mestre do suspense também colaborou na retomada de A Noiva Estava de Preto.

Apesar de o filme ter sido feito para Jeanne Moreau brilhar - ela é praticamente a única protagonista em cena, já que os homens têm como destino certo a morte por métodos cruéis - Truffaut não ficou satisfeito com o resultado final. As filmagens foram tumultuadas, principalmente por causa das dificuldades de relacionamento com seu diretor de fotografia, Raoul Coutard, que não gostava das interferências do diretor em seu trabalho. O filme era colorido, mas Jeanne Moreau tinha um guarda-roupa com 14 vestidos em preto-e-branco, criados especialmente por Cardin. Mais um motivo para os dois brigarem. Insatisfeito, Truffaut encarregou Jeanne de boa parte da direção dos atores. "Eu tinha de tomar conta dos atores e ao mesmo tempo tranqüilizar o indivíduo que tinha de assassinar", relembrou numa entrevista.

O diretor se recriminava por não ter conseguido reproduzir na tela a beleza de Moreau, revelam Antoine de Baecque e Serge Toubiana em François Truffaut - uma Biografia. Mesmo assim, o filme foi um sucesso no seu lançamento, em abril de 1968, atraindo um público de 300 mil pessoas durante as 14 semanas em que esteve em exibição em Paris. As críticas também foram favoráveis. O próprio Hitchcock escreveu para elogiar o trabalho. "Gostei especialmente da cena em que Moreau observa a morte lenta do homem que envenenou. Com meu humor algo especial, creio que a teria feito ir ainda um pouco mais longe, pondo uma almofada sob sua cabeça, para que ele morresse ainda mais confortavelmente."

Cineweb-22/3/2002

Luiz Vita


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