Avassaladoras

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Crítica Cineweb

10/02/2003

Não é de hoje que o cinema brasileiro procura um caminho para reencontrar o sucesso popular de que já desfrutou em alguns períodos de sua história, caso do tempo das comédias da Atlântida dos anos 40 e da pornochanchada dos anos 70.

Portanto, nada existe para se criticar na intenção da diretora Mara Mourão que, desde seu filme de estréia (Alô! E A Minha Comissão?, de 95) insiste nessa chave. O problema, no seu caso, está no modo como procura chegar lá.

Incorporando outro ingrediente que não costuma faltar em receitas de sucesso mais recentes (caso de A Partilha, visto por quase 1, 5 milhão de pessoas), esta comédia procura ganhar a simpatia do público antes mesmo de que ele saiba qualquer detalhe de sua história, ou seja, recheando o elenco de astros da TV. E, se Avassaladoras se revelar outro sucesso, não será pouca coisa o fato de ter como protagonista a estrela da novela das oito do momento - Giovanna Antonelli, a Jade de O Clone -, ao lado de um dos galãs mais unânimes, ao menos em nível de sex appeal, Reynaldo Gianecchini.

Apostando no mandamento de não complicar nada a vida do público que gosta de novelas - com certeza, o alvo preferencial aqui - a trama é escandalosamente simples: Laura (Giovanna) é uma jovem designer gráfica que sofre uma grande desilusão com o namorado de muitos anos, que a passa para trás. A mágoa faz com que se afaste dos homens, mergulhando no trabalho. No escritório, divide segredos com algumas amigas, solteiras e carentes como ela, e sofre o assédio implacável do destruidor de corações do pedaço, Thiago (Gianecchini).

Laura não quer nada com homens como Thiago, mas a solidão está batendo pesado - e um dos pontos fracos do filme é não conseguir caracterizar com a sensibilidade necessária um sentimento que com certeza abate muitas mulheres hoje, jovens ou não. A carência das moças e seus envolvimentos amorosos são retratados com uma falta de sutileza que resvala na cafajestagem, um pecado imperdoável num filme dirigido por uma mulher - mesmo que a intenção seja fazer rir. O humor, afinal, sempre corre o risco de ser grosseiro.

Uma intervenção luminosa vem da veterana comediante Rosi Campos, que dá um show de saborosa espontaneidade como Lúcia, a sacudida dona de uma agência de casamentos que tentará ajudar Laura a encontrar o parceiro ideal. Mesmo que ele seja Miguel (Caco Ciocler), um tanto caricato na pele de um rude comerciante de origem árabe.

Onde é que, então, a engrenagem engasga, numa comédia como esta, ligeira, alto-astral e sem pretensões maiores que o divertimento do grande público? No ponto fraco de sempre: roteiro. Fazer comédia, ao contrário do que parece à primeira vista, é a coisa mais difícil do mundo. Escrever bons diálogos, espirituosos, simples, com ritmo então, é um desafio ainda maior. Uma das piores tradições que está mais do que na hora de aposentar no cinema nacional é não se apostar na formação de bons roteiristas - em geral, o diretor acumula essa e todas as outras funções, embora nem sempre tenha talento específico para algumas delas. Assim, nem mesmo em nome da busca da simplicidade, é possível perdoar que diálogos contenham "pérolas" do tipo: "eu estava me sentindo tão abandonada quanto uma samambaia seca" ou "a vida é como um sutiã vazio: tem que meter os peitos".

Outra inadequação, talvez a pior delas, é que, mesmo retratando personagens na faixa dos 30 anos, todas se comportam como pré-adolescentes. Daí, mesmo tendo a maior boa vontade, não dá para não sentir o insulto à própria inteligência como espectador.

Cineweb-1/2/2002

Neusa Barbosa


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