Primo Basílio

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País


Sinopse

São Paulo, 1958. Luísa (Débora Falabella) é casada com Jorge (Reynaldo Giannecchini), mas apaixona-se pelo primo, Basílio (Fábio Assunção). Os dois têm um caso durante viagem do marido e trocam cartas. Algumas delas caem na mão da empregada Juliana (Glória Pires), que faz chantagem.


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Crítica Cineweb

09/08/2007

Ao transpor a história criada pelo genial autor português Eça de Queiroz do século XIX para a década de 50, o experimentado diretor Daniel Filho dá mais uma prova de sua sabedoria profissional. Trazer a história de amor e traição para os dias atuais não teria a menor sustentação, porque a moral de hoje não comporta o registro trágico da história original. Bem fez Daniel Filho ao não repetir o erro de Moacyr Góes, que fez pouco de Machado de Assis ao transportar Capitu para os dias de hoje em Dom, desdenhando do fato de que o progresso da ciência eliminaria por si só a dúvida irresolvida do protagonista Bentinho...

Recorrendo à sua bem-nutrida experiência na TV Globo, onde foi um dos artífices do modelo narrativo de maior sucesso no Brasil, o das novelas e minisséries, Daniel Filho preferiu recorrer a Nelson Rodrigues. O diretor já adaptara há anos a série de histórias contida em A Vida Como Ela É, contidas pela moldura moralista dos anos 50 que ele imprime a Primo Basílio.

A Lisboa do livro transmuta-se na São Paulo de 1958, tempo de Juscelino Kubitschek na presidência, construção de Brasília apontando no horizonte. Nessa época de urbanização rápida, as mulheres, especialmente se transformam. Assim, cai muito bem neste ambiente a Luísa (Débora Falabella) que hesita entre o respeito ao casamento até feliz mas um tanto frio com o engenheiro Jorge (Reynaldo Giannecchini) para cair nos braços do sedutor Basílio (Fábio Assunção).

Uma vantagem nada desprezível no deslocamento da história para o século XX está na maior liberdade permitida às cenas de sexo. Estas são filmadas a um só tempo com franqueza e elegância, mantendo alta a temperatura da trama - e aumentando a censura do filme. Débora Falabella dá conta com apuro da dualidade e da transformação de Luísa. De menina mimada e frívola a adulta magoada e culpada, Débora convence, como de hábito. Ao seu lado, Simone Spoladore surpreende positivamente, num papel muito diferente dos seus habituais, como a sensual Leonor, a amiga que se rende sem culpa aos prazeres da carne com estudantes do Largo de São Francisco e é inegavelmente um estímulo à transformação de Luísa.

Na pele da vilã exageradamente feia que lhe coube interpretar, Glória Pires corresponde a tudo o que se espera. De matuta dissimulada evolui para chantagista profissional, orientada pela parenta Vitória (Laura Cardoso), criando os momentos de maior humor dentro do filme – especialmente com suas tiradas cínicas e sua vingança da patroa, que agora se esfalfa no trabalho doméstico enquanto ela se poupa, esperando o pagamento de sua alta chantagem, por conta de cartas comprometedoras que escondeu.

O formato de folhetim convém à adaptação da história, que já no original desdenhava desse jogo de aparências tão caro à burguesia e que se esfarela ao menor movimento. Sem dúvida, não se atingirá aqui a profundidade das observações de Eça, mas não se pode, igualmente, acusar Daniel Filho de trair sua obra. O diretor adapta a história para as platéias modernas com profissionalismo e competência, especialmente no tratamento de época e no ritmo dramático.

Reduzidos a seus tipos um tanto unilaterais, Fábio Assunção e Reynaldo Giannecchini não comprometem. Já é alguma coisa.

Neusa Barbosa


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