Saneamento Básico - O Filme

Ficha técnica


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País


Sinopse

Uma pequena cidade do interior gaúcho sofre com a poluição de seu rio. A prefeitura local não tem verba para fazer o esgoto. Em compensação, recebeu dinheiro do governo federal para fazer um filme. Uma família aceita o desafio de fazer o filme para poder ter a obra do esgoto.


Extras

- Making Of

- Cenas Excluídas

- Erros de Gravação

- Animação O Monstro da Fossa

- Trailer


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/07/2007

O nome não podia ser mais intrigante. Como é que uma comédia pode se chamar Saneamento Básico? A primeira piada foi justamente essa. E o gaúcho Jorge Furtado, em seu quarto longa, prova que o humor pode mesmo sair de qualquer lugar.

Adepto do roteiro bem-acabado em todos os seus trabalhos anteriores - Era Uma Vez Dois Verões, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara - Furtado mais uma vez capricha na carpintaria da trama. O apuro, que passa pelo estudo da Commedia dell’Arte, é colocado a serviço de uma história descabeladadamente engraçada e bem-interpretada.

É visível que Furtado quis fazer um comentário sobre a elasticidade moral do País e também sobre seu próprio métier. Nada de estranhar, afinal, o diretor e seus colegas da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre adoram uma metalinguagem desde seus tempos de curta-metragistas.

No caso, o ingrediente auto-irônico entra na situação central. Um grupo de moradores de uma cidadezinha gaúcha têm de virar cineastas do dia para a noite. Na verdade, o que eles precisam é de uma fossa para impedir a poluição do rio da cidade. Não há dinheiro previsto para saneamento básico no orçamento. Mas o governo federal enviou uma verba que só pode ser utilizada para fazer um filme. Qualquer filme. Então, dá-lhe cinema para poder fazer o esgoto. Até porque a subsecretária da Prefeitura (Janaina Kremer) não quer de jeito nenhum devolver dinheiro a Brasília. Vai ter de sair um filme.

Obviamente, a criação do filme é tumultuada. Seus produtores, o casal Marina (Fernanda Torres) e Joaquim (Wagner Moura), assessorados pela irmã dela, Silene (Camila Pitanga), e o namorado Fabrício (Bruno Garcia), não têm a menor idéia do que seja ficção, para começar. A família trabalha na marcenaria do pai de Marina e Silene, Otaviano (Paulo José).

Fabrício é uma caricatura da velha frase que definia o Cinema Novo: “uma câmera na mão, uma idéia na cabeça”. Afinal, tudo o que ele tem é a câmera. A idéia é mais difícil. Quem toma a frente da empreitada é Marina, a única com mais intimidade com a escrita. Ainda assim, são inúmeras as trapalhadas da trupe na descoberta de uma história, que tem um monstro, para dar um toque ecológico, e uma beldade, para encher os olhos do futuro público e atrair merchandising. Tudo isso é levado no maior amadorismo. Como na situação em que a vaidosa Silene, que ganhou os vestidos de cena de uma boutique, fica tentando mostrar as etiquetas para a câmera...

O vídeo em produção é um verdadeiro manual de tudo o que não se deve fazer, em termos de roteiro, fotografia e interpretação. Mas como é que estes amadores iam saber disso? Nem por expor sua ingenuidade, o filme perde o respeito com eles. Os personagens são tão de carne e osso, tão próximos da vida, que não dá pra não gostar deles.

É visível que uma grande parceria se formou entre o diretor e os atores. A química de Fernanda Torres e Wagner Moura é total, assim como a sintonia de Camila Pitanga com seu papel de garota vaidosa e exibicionista. Camila, aliás, mostra talento de sobra como comediante.

Quem entra só na parte final é Lázaro Ramos, na pele de Zico, que entende um pouco mais de filmagens – ele filma casamentos e outras festas e tem alguma noção de efeitos. Por causa dele, o filminho fica um pouco melhor e também mais apimentado... Será que a comunidade interiorana vai encarar ousadias como cenas de nudez?

Se há uma fórmula Jorge Furtado de fazer cinema – e há -, o importante é que ela funciona bem como nunca em Saneamento Básico. Quem for assistir, não vai perder a viagem. O filme é mesmo muito engraçado. De quebra, discute nas entrelinhas aquele velho falso dilema que reza que se teria que optar ou pelas necessidades ditas básicas – como saneamento – e cultura. Mas cultura também não é básico ?

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 21/11/2013 - 00h28 - Por Thainara da Silva Pivotto O filme e realmente muito interessante relata a vida de quem necessita de saneamento basico, mostra a esperteza dos governantes da cidade na qual somente aparecem na hora das fotografias, somente para mostrar que a prefeitura esta trabalhando na cidade.
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