A Vida Secreta das Palavras

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Sinopse

Hanna (Sarah Polley) é uma imigrante dos Bálcãs, que se refugiou na Grã-Bretanha depois da sangrenta guerra dos anos 90. Ela é enfermeira, mas vive como operária. levando uma existência triste e solitária. Um dia, é forçada pelos patrões a tirar férias, as primeiras em quatro anos. Numa cidade litorânea, acaba encontrando um emprego temporário como enfermeira de um petroleiro (Tim Robbins), queimado na explosão de uma plataforma. Aos poucos, as dores íntimas dos dois vêm à tona.


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Crítica Cineweb

13/06/2007

A cada novo filme, a atriz canadense Sarah Polley se confirma como uma das mais competentes de sua geração. No drama escrito e dirigido pela espanhola Isabel Coixet, ela é Hanna, uma moça que se refugia em algum lugar da Grã-Bretanha depois da Guerra dos Bálcãs, em meados dos anos 1990.

Hanna leva uma vida isolada, na qual as palavras não são muito úteis. Não tem amigos, nem no seu ambiente de trabalho, uma fábrica de plástico. Seu único contato com o mundo é uma misteriosa mulher (Julie Christie) para quem ela telefona às vezes, mas não diz nada. Tamanho é seu isolamento que seu chefe diz que os demais trabalhadores reclamam porque ela não se relaciona com ninguém.

Forçada a tirar férias, as primeiras em quatro anos, a moça acaba conhecendo um homem que precisa dos serviços de uma enfermeira, para cuidar de um acidentado numa plataforma de petróleo. Hanna tem qualificação para tal e acaba aceitando o trabalho. Ela passa a assistir Josef (Tim Robbins), vitima de várias queimaduras no corpo depois de uma explosão.

Começa, então, uma jornada de autodescoberta e superação para Hanna, que deságua numa catarse comovente e completamente verossímil. Nesse percurso, Josef terá um papel fundamental. Como a visão dele também está temporariamente afetada, as conversas passam a ser a forma de comunicação primária entre os dois. Mas o que fazer quando as palavras não são suficientes para expressar toda a dor que se sente?

A Vida Secreta das Palavras, como o próprio título indica, fala daquilo que está além do que dominamos. Hanna sofre, isso fica claro, embora o motivo que a impede de levar uma vida menos solitária, de se conectar com outras pessoas, só será conhecido mais tarde. O isolamento é o seu refúgio.

Isabel Coixet já havia trabalhado com Sarah em Minha Vida Sem Mim, um filme que aborda temas parecidos, em especial o da ausência. Porém, aqui, a carga dramática e o talento da atriz são mais bem empregados. Desde sua interpretação contida e bela em O Doce Amanhã (1996), a jovem tem se firmado como uma das poucas intérpretes que conseguem transformar em palpável uma dor que parece ser sobre-humana.

A diretora, por sua vez, mostra mais facilidade para lidar com os atores do que com as imagens. Mas isso não a impede de extrair bons momentos, em especial com uma câmera meio solta e uma fotografia realista. A trilha sonora, que combina jazz e Tom Waits, David Byrne, Anthony and the Johnsons, também se destaca, e contribui na montagem dinâmica do filme.

O filme cresce quando dá espaço para vazão da humanidade de seus personagens. É nesses momentos, quando as palavras faltam, que os sentimentos se tornam reais, e as ações de Hanna e Josef, convincentes. O longa ganhou diversos prêmios, entre os quais, o Goya (o Oscar espanhol), de melhor filme, diretor, roteiro e direção de produção, em 2006.

Alysson Oliveira


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