Baixio das Bestas

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Sinopse

No agreste pernambucano, a exploração e violência contra as mulheres domina. Todas as noites, um avô desnuda a própria neta, de 16 anos, num posto abandonado para que um grupo de voyeurs, que inclui agroboys e caminhoneiros, lhe pague para admirá-la. Alguns dos mesmos homens freqüentam o bordel, onde não hesitarão em estuprar brutalmente uma das prostitutas.


Extras

- Making of

- Próximos lançamentos

- Trailer


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Crtica Cineweb

10/05/2007

Como em seu longa de estréia, Amarelo Manga (02), o diretor Cláudio Assis procura sacudir o público abordando um universo decadente, no qual crueldade, prazer e morte se cruzam sem distinção.

Essa decadência é apresentada logo nas primeiras imagens, onde se vê um engenho abandonado e a narração cita diálogos do filme Menino de Engenho, de Walter Lima Júnior. Com a frase "o tempo vai consumir os engenhos, as usinas, a mim, a você”, começa um calvário num mundo de mentes e atos doentios.

Um homem velho (Fernando Teixeira) desnuda uma garota atrás de uma igreja. A cena é vista por um grupo de voyeurs, que inclui agroboys e caminhoneiros, que pagam para admirar a nudez da menina. Ela é Auxiliadora (Mariah Teixeira), de apenas 16 anos, que vive com esse homem, que é seu avô. Alguns sustentam que, na verdade, ele é o pai dela.

Dependente deste falso moralista, Auxiliadora não tem muitas opções na vida, a não ser seguir as ordens dele. Para justificar a exploração da neta, ele diz que ‘a necessidade faz o cavalo e o cavaleiro’.

Entre os admiradores de Auxiliadora está Cícero (Caio Blat), jovem de família rica que estuda em Recife e volta nos finais de semana. Com outros amigos, entre eles Everardo (Matheus Nachtergaele), promove orgias num bordel local ou num cinema abandonado. O trio de prostitutas é formado por Dora (Dira Paes), Bela (Hermila Guedes) e Ceiça (Marcélia Cartaxo).

Em contrapartida a esse mundo de podridão, Baixo das Bestas mostra um lirismo colorido e melancólico num grupo de pessoas que se fantasiam para participar de eventos carnavalescos. Em algumas cenas, a brutalidade daquela cidade da Zona da Mata é momentaneamente ofuscada pelo brilho das lantejoulas e fantasias.

Neste universo, os homens são cruéis e as mulheres, oprimidas. Retratar esse comportamento rende ao filme cenas assustadoras, embora haja também espaço para beleza visual, ainda que pese a repugnância por alguns personagens e seus atos. Numa das cenas mais polêmicas do filme, um estupro é mostrado como se fosse um teatro de sombras, misturando o brutal com a insinuação erótica.

Num outro momento, em que o grupo de amigos está no cinema abandonado, vendo trechos de filmes antigos com cenas de sexo explícito, Everardo diz que a melhor coisa do cinema ‘é que nele tu pode fazer o que tu quer’. Parece até que é o diretor falando através de seu personagem. Para Assis, o cinema não parece ter limites para fazer denúncias, retratar a sociedade e causar incômodo.

No Festival de Brasília 2006, o longa levou os troféus de melhor filme, melhor atriz (Mariah Teixeira), melhor ator coadjuvante (Irandhir Santos), melhor atriz coadjuvante (Dira Paes), melhor trilha sonora (para o músico Pupillo) e também o prêmio da crítica para longa-metragem 35 mm.

Alysson Oliveira


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