Atirador

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Sinopse

Bob Lee Swagger é um atirador de elite do exército americano que desiste da carreira militar depois que é abandonado numa ação na Etiópia e seu colega morre em combate. Vive sozinho com seu cachorro numa casa na floresta até o dia em que um coronel o convence a voltar ao trabalho - para impedir um atentado à vida do presidente americano. Por trás desta operação, há uma armadilha preparada contra Bob Lee.


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Crítica Cineweb

22/03/2007

Indicado ao Oscar de ator coadjuvante por seu trabalho em Os Infiltrados, de Martin Scorsese, o ator Mark Wahlberg volta a estrelar um filme de ação em Atirador. Aos 35 anos (ele completa 36 em junho), Wahlberg desfruta do prestígio de ser um dos atores mais requisitados de sua geração, atuando em histórias cheias de adrenalina, como o recente Uma Saída de Mestre.

Tanto como Wahlberg, o diretor afro-americano Antoine Fuqua é um especialista em tramas de alta voltagem e nenhum tempo morto, caso deste e de vários trabalhos anteriores, como Assassinos Substitutos, A Isca e Dia de Treinamento – que deu o Oscar de melhor ator a Denzel Washington em 2001.

Wahlberg, um ex-roqueiro do grupo The New Kids on the Block, entra na pele de Bob Lee Swagger, um atirador de elite do exército americano que desistiu da vida militar depois de ser abandonado em ação e ver seu parceiro morto numa operação clandestina das tropas americanas na Etiópia – uma história que lembra, aliás, as várias intervenções ilegais e desastradas dos EUA no exterior. Só não lembra da Guerra do Iraque quem não quer. O Iraque, aliás, será lembrando nominalmente, e de maneira bem crítica, em diálogos mais adiante.

Refugiado numa casa no alto das montanhas do Wyoming, tendo por única companhia seu cachorro, um dia Lee recebe a visita do coronel Isaac Johnson (Danny Glover). O coronel revela ter informações de que há um plano para matar o presidente dos EUA em sua próxima viagem por três cidades do país e que o assassino será alguém habilitado a um tiro de longa distância.

Como esse tipo de tiro é, justamente, a especialidade de Bob Lee, Johnson pede que reconsidere seu afastamento, juntando-se ao serviço secreto para impedir o atentado. Depois de uma curta hesitação, o atirador sente-se desafiado no seu brio patriótico e decide voltar à ativa. Visita as cidades no roteiro de viagem da comitiva presidencial, observa as condições de seu trajeto e monta um plano de defesa.

Lee só não contava com um detalhe – que estivesse sendo usado por um dos setores de inteligência do governo, que trabalham com uma agenda secreta e o usam como bode expiatório quando o atentado acontece, matando não o presidente, mas um arcebispo etíope que visitava os EUA.

O plano de Johnson era matar também Lee e culpá-lo pela morte do religioso. Mas o jovem militar, que foi altamente treinado, consegue escapar, mesmo depois de levar dois tiros. O filme se transforma na frenética caçada das forças policiais atrás do fugitivo, que pode contar com bem poucos aliados. Um deles é o agente do FBI Nick Memphis (Michael Peña), que desconfia da versão oficial do crime e vai descobrindo detalhes da trama secreta.

Outra aliada é Sarah (Kate Mara), a viúva do amigo morto na Etiópia. A moça é obrigada a tornar-se enfermeira na marra para ajudar Bob Lee a curar seus ferimentos. Mas nem ela nem a agente Alourdes Galindo (Rhona Mitra), as duas únicas mulheres do filme, têm muita expressão. Este é um mundo macho por excelência.

Nem por isso lhe falta inteligência. Baseado no livro de Stephen Hunter e com roteiro de Jonathan Lemkin, o filme cria uma visão de mundo bem pessimista, em que os donos do poder são um pequeno grupo que age nos subterrâneos da lei e é comandado por ninguém menos do que um senador (Ned Beatty).

O subtexto da história é colocar em dúvida toda e q ualquer noção do velho patriotismo, que levou boa parte dos americanos a acreditar que no Iraque havia armas de destruição em massa e concordar com a guerra – uma mentira lembrada por um dos personagens secundários do filme. O próprio Bob Lee é um desses patriotas iludidos que termina percebendo que o que seu país faz, fora ou dentro de suas fronteiras, não costuma ser nada edificante.

Não deixa de ser niilista essa idéia de que apenas o jogo bruto dê conta de defender um indivíduo solitário que não pode dar-se ao luxo de acreditar mais em nenhuma ideologia, como um desgarrado caubói moderno. Procuram-se novos heróis - ou novos tempos - urgentemente.

Neusa Barbosa


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