Os 12 Trabalhos

Ficha técnica

  • Nome: Os 12 Trabalhos
  • Nome Original: Os 12 Trabalhos
  • Cor filmagem: Colorida
  • Ano de produção: 2006
  • Gênero: Drama
  • Duração: 85 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Ricardo Elias
  • Elenco:

Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Heracles saiu há pouco da Febem e não consegue emprego. Seu primo arruma para ele fazer um teste numa agência de entregas. Em um dia, o rapaz deverá cumprir diversas tarefas para ganhar o emprego de motoboy. Em seu caminho, o rapaz irá encontrar com as mais diversas figuras e alguns problemas.


Extras

- Trailer

- Making Of

- Cenas Excluídas


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/03/2007

O diretor paulista Ricardo Elias parece ter um interesse especial na relação entre as pessoas e os meios de transporte, o que coloca os seus personagens sempre em movimento. Foi assim em seu filme de estréia, De Passagem (2003). Este motivo se repete em sua segunda obra de ficção, Os 12 Trabalhos. Em De Passagem, o meio de transporte era basicamente o trem e o objetivo era único, encontrar o corpo do irmão do protagonista, provavelmente morto pela polícia. Em Os 12 Trabalhos, o meio é a moto, mas os objetivos são mais numerosos, como indica o título. O personagem central aqui é Heracles (Sidney Santiago, premiado no Festival do Rio), uma releitura do mito grego de Hércules.

Nenhum profissional é mais representativo de São Paulo do que os motoboys. Com sua pressa constante, eles são a perfeita tradução do eterno sentimento do paulistano de estar sempre atrasado, sempre correndo contra o tempo.

Ex-interno da Febem, o adolescente busca uma vaga numa empresa de motoboys onde trabalha seu primo, Jonas (Flávio Bauraqui). Seu teste consiste em um dia de trabalho, quando terá de realizar algumas tarefas e se mostrar apto para o serviço. Repetindo a pareceria de “De Passagem” com Claudio Yosida, Elias também assina o roteiro, que parte de uma premissa simples, e vai mergulhando em relações humanas, sociais e econômicas que cercam o universo de seus personagens. O filme também encontra espaço para a fantasia, que o protagonista encontra nos quadrinhos que desenha, como uma seqüência envolvendo alienígenas e naves espaciais.

Heracles evolui, como ser humano e como personagem, ao longo do filme. Se no início é um rapaz um pouco ingênuo, depois de algumas tarefas ele ganha uma certa malandragem e destreza para se safar das encrencas – sendo que em muitas delas ele é apenas vítima, não o causador. O que o filme mostra é que é preciso uma certa dose de malícia e burlar algumas regras para poder sobreviver num mundo quase sempre duro.

 

Novamente, Elias faz o cinema da simplicidade, dispensando grandes movimentos de câmera ou trucagens na fotografia ou montagem. Aqui o que importa são os seres humanos e seus relacionamentos. E isso ele aborda com sutileza e inteligência. Não é necessário transformar Heracles num grande herói – apesar de sua origem no mito. Ele é um jovem comum, em busca de seu lugar na sociedade. Assim, o filme nunca cai no maniqueísmo e o personagem conquista o público com sua jornada legítima para tentar sobreviver a um sistema que costuma devorar os mais simples.

A cidade tem um papel fundamental na estrutura do filme. O meio é que determina o destino da pessoa, como diz o personagem no início: ‘Dependendo de onde você nasce, já era. Sua história está escrita antes de começar’. Porém, é possível romper com esse meio, como prega o longa, buscando novos horizontes e possibilidades e fugir desse determinismo geográfico.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança