Dias de Glória

Ficha técnica

  • Nome: Dias de Glória
  • Nome Original: Indigènes
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2006
  • Gênero: Guerra, Drama
  • Duração: 120 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Rachid Bouchareb
  • Elenco: Jamel Debbouze

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País


Sinopse

Um grupo de soldados de origem argelina alista-se nas durante a Segunda Guerra Mundial, para libertar a França dos nazistas. Ao lado de outros 130 mil compatriotas, são chamados de ‘indígenas’ (título original do filme). O longa mostra um retrato desses heróis negligenciados pela história.


Extras

Idiomas falados: francês/português

Legendas: português

Som 2.0 Dolby digital


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/02/2007

A Segunda Guerra Mundial recebeu alguns tratamentos diferenciados no cinema no ano passado. Clint Eastwood contou o conflito do ponto de vista dos vencedores (A Conquista da Honra) e dos vencidos (Cartas de Iwo Jima). O diretor Rachid Bouchareb também encontrou algo novo a dizer sobre o assunto: a participação dos argelinos no exército francês, em Dias de Glória. Porém, para esses soldados, os nazistas não eram os únicos inimigos – eles também precisavam vencer o preconceito dos franceses. Esse revisionismo tardio é o que há de mais forte neste drama que rendeu aos protagonistas o prêmio de atuação no Festival de Cannes.

Se em sua forma Dias de Glória segue o formato clássico de filmes de guerra, em seu conteúdo aponta para novos debates. Embora também estejam lá os temas caros ao gênero, como sacrifício, companheirismo, heroísmo e coragem, o que o fortalece é sua declaração política. Um dos objetivos do filme era mostrar a importância da participação argelina na Segunda Guerra e cobrar do governo francês o pagamento das pensões aos militares argelinos, suspenso em 1959, quando o país buscava a independência. Uma lei foi aprovada em 2002, mas os fundos só foram liberados depois que o presidente Jacques Chirac assistiu ao filme.

O roteiro, assinado pelo diretor e por Olivier Lorelle, transita entre os dramas pessoais dos soldados argelinos, também conhecidos como "indígenas", e o coletivo, ou seja, o conflito. A narrativa é pontuada por pequenos incidentes e grandes batalhas – todos filmados com muita eficiência. Do elenco, destaca-se Jamel Debbouze, com o personagem mais complexo e interessante do filme. O ator é capaz de elevar o soldado Saïd Otmari muito além do estereótipo.

A França revela-se um país de graves conflitos morais durante o filme. Uma pátria que prega igualdade, fraternidade e liberdade desde 1789, e, ainda assim, manteve diversas colônias, massacrou milhares de pessoas e explorou outras tantas, levando-as à guerra para defender os interesses do país-metrópole. Os soldados, por sua vez, acreditavam que sua competência no campo de batalha iria forçar a França a reconhecê-los como iguais. A lealdade dos argelinos aos franceses, porém, teve um preço mais tarde. O que faz com que Dias de Glória estabeleça um saudável diálogo com A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo.

Alysson Oliveira


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