A Conquista da Honra

Ficha técnica

  • Nome: A Conquista da Honra
  • Nome Original: Flags of Our Fathers
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2006
  • Gênero: Guerra, Drama
  • Duração: 132 min
  • Classificação: 16 anos
  • Direção: Clint Eastwood
  • Elenco:

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País


Sinopse

Em 1945, os americanos lutam para conquistar a ilha japonesa de Iwo Jima. A foto da colocação de uma bandeira americana no monte Suribachi corre o mundo e torna-se inspiradora para a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial. Mas há uma história que não se quer revelar por trás da própria realização desta foto.


Extras

- Extras: - Apresentação de Clint Eastwood

- Comentários sobre a história

- Seis homens valentes

- O making of de um épico

- Chamando a atenção

- Efeitos visuais

- Relembrando o passado


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/02/2007

Ainda que seja, a rigor, um filme de guerra, A Conquista da Honra tem seu foco maior naquela que é, parafraseando uma frase famosa do senador americano Hiram Johnson, sua primeira vítima: a verdade. Embora narre a batalha pela conquista da ilha japonesa de Iwo Jima, em 1945, este filme adulto e sólido de Clint Eastwood desvenda igualmente a construção de uma foto que mudou o rumo dos acontecimentos naquele ano final da II Guerra Mundial: a famosa colocação da bandeira americana no alto do monte Suribachi, clicada pelo fotógrafo Joe Rosenthal, da agência Associated Press. Uma das mais reproduzidas na História em todos os tempos e que valeu o cobiçado Prêmio Pulitzer ao seu autor.

Não é exagero defender, como faz o filme, que esta foto singular teve repercussões até maiores do que os tiros e bombas jogados na inóspita ilha vulcânica japonesa, que custou a vida de 7.000 soldados americanos e quase 20.000 japoneses em 40 dias de luta feroz. A imagem que traduzia a vitória das tropas americanas em terra estrangeira simplesmente fornecia o argumento de que o governo dos EUA – primeiro com Theodore Roosevelt, depois com Harry Truman – precisava desesperadamente para levantar fundos para dar continuidade à guerra. Naquele momento, a situação do Tesouro Americano era simplesmente desastrosa. Mas o público americano simplesmente não sabia disso e precisava ser motivado emocionalmente para abrir seu bolso em benefício da pátria.

Ironicamente, a manipulação da verdade fazia parte da própria essência da foto. Embora verdadeira, não revelava toda a realidade. Foi vendida para o mundo como se registrasse a primeira colocação da bandeira, que realmente não fora fotografada por ninguém. O hasteamento foi repetido uma segunda vez porque reza a lenda que o ministro da marinha ligou para um dos comandantes em Iwo Jima, o coronel Chandler Johnson (Robert Patrick), informando-o que desejava aquela bandeira para si. Irritado, o coronel ordenou que a primeira bandeira fosse retirada, guardando-a para ele mesmo, e que uma outra a substituísse no mastro fincado no monte Suribachi – e esta seria, depois, enviada ao ministro.

Esse prosaico incidente teve conseqüências imprevistas. A segunda colocação da bandeira foi fotografada, virou História e seus personagens, heróis transformados pelo alto comando americano em garotos-propaganda de uma gigantesca campanha de arrecadação de fundos por todo o país.

Um outro foco do filme está neste dilema moral dos três soldados – John Bradley (Ryan Phillippe), René Gagnon (Jessé Bradford) e Ira Hayes (Adam Beach) – que sabem não ter sido os primeiros a hastear a bandeira mas, ainda assim, sentem-se coagidos pelo dever de manter a mentira diante do público americano para que seja bem sucedida a operação de sustentação da guerra. Com um alto custo pessoal a pagar, porém, e que começa no momento em que têm de olhar nos olhos das mães dos soldados que verdadeiramente foram os pioneiros no monte Suribachi, mas não viveram para gozar das glórias de seu feito.

Baseado no livro de James Bradley (filho de John Bradley, um dos protagonistas reais em Iwo Jima) e Ron Powers, o roteiro de Paul Haggis e William Broyles Jr. coloca em discussão igualmente o próprio conceito de heroísmo e de honra, um tema caro a Eastwood, como se viu em Os Imperdoáveis e Menina de Ouro, que lhe renderam o Oscar de melhor diretor.

Desta vez, porém, A Conquista da Honra nem foi lembrado na categorias principais da principal premiação americana. Ficou só com duas indicações técnicas, de melhor som e melhor edição de som, o que é muito pouco diante da excelência do filme. Melhor sorte teve o filme que corresponde à visão japonesa desta mesma batalha, Cartas de Iwo Jima, que já venceu um curioso Globo de Ouro – de melhor filme em língua estrangeira, porque é todo falado em japonês – e concorre nas categorias nobres, melhor filme e melhor diretor. Clint mereceria mais um. É um cineasta vivendo uma maturidade extraordinária. Mas este tem toda cara de ser o ano de Martin Scorsese, com seu poderoso Os Infiltrados.

Neusa Barbosa


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