Minority Report - A Nova Lei

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Crítica Cineweb

13/01/2003

A experiência de dirigir A. I. - Inteligência Artificial, a pedido de Stanley Kubrick, sem dúvida impregnou o diretor Steven Spielberg com algo da alma do diretor de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, morto em 1999. Hoje, um ano depois de ter realizado a tarefa, a influência de Kubrick parece pairar sobre seu trabalho atual, Minority Report - a Nova Lei, coincidentemente outra ficção científica.

Spielberg é sempre criticado por deixar um sentimentalismo excessivo invadir suas histórias. Foi assim em A. I., onde era possível separar o momento em que terminava a inspiração de Kubrick e onde começava a chantagem emocional (especialmente na meia hora final). Em Minority Report, apesar do final edulcorado, os escorregões são mínimos e o que prevalece é uma história adulta onde não faltam personagens dúbios, um herói drogado, famílias desfeitas e uma boa dose de pessimismo em relação ao futuro. Nada mais anti-Spielberg.

O mesmo diretor que alterou as imagens de E. T., para retirar os revólveres das mãos dos policiais que perseguiam o simpático extraterrestre, não hesita aqui em mostrar seu protagonista, Tom Cruise, um policial mergulhado em seus mais profundos pesadelos, viciado num novo tipo de droga, chamada clarity. Comportamento até entendido e justificado por seu chefe e pela ex-mulher: afinal ele se sente culpado
pelo desaparecimento do filho pequeno e pelo fim
do casamento.

Nesse ponto Spielberg se aproxima mais da alma de Kubrick e retrata uma sociedade avançada tecnologicamente na qual não há lugar para a religião e onde os cidadãos são permanentemente vigiados por câmeras capazes de ler suas retinas em cada estação do metrô e em cada outdoor publicitário. O Big Brother de George Orwell é considerado inevitável nesse ano de 2054, quando se passa a história. O que dizer então de um mundo liberto da violência dos sentimentos primitivos, com um departamento de polícia capaz de identificar assassinos e puni-los antes mesmo que cometam o crime? Tolerância zero é brincadeira
perto disso.

Mas é curioso que essa mesma sociedade altamente desenvolvida dependa para ter paz e segurança de três sensitivos - chamados de Pre-Cogs -, dois homens e uma mulher capazes de prever o futuro e assim indicar à polícia com precisão o local e os envolvidos em futuros crimes de morte. O trio permanece recluso num local fechado que os policiais chamam de templo. Essa moderna santíssima trindade tem na mulher, Agatha (a britânica Samantha Morton em sensível interpretação), o ser com poderes mentais mais desenvolvidos.

Tom Cruise é o policial John Anderton, chefe da equipe encarregada de localizar os futuros assassinos tão logo os sensitivos transmitam suas visões. As ondas cerebrais do trio são transformadas em imagens, projetadas numa tela transparente, manipuladas por Anderton como se fossem um intrincado quebra-cabeças, cuja exata localização das peças levará à vitória. Nesses momentos, de surpreendentes efeitos visuais, o tira muda as imagens de lugar com uma agilidade que o confunde com um regente de orquestra. Ao fundo, a Sinfonia No. 8, A Inacabada, de Franz Schubert. A lembrança da valsa Danúbio Azul, acompanhando as evoluções da nave em 2001 - Uma Odisséia no Espaço, é inevitável.

A infalibilidade do sistema, criado por uma pesquisadora que agora vive reclusa no campo, será colocada à prova pelo próprio policial. Os sensitivos prevêem que se tornará um assassino e toda a máquina repressiva se voltará contra ele. John é obrigado a fugir e encontrar as falhas do sistema que provem sua inocência. Tarefa difícil, pois suas retinas são monitoradas a cada passo.

Nas cenas de fuga é possível observar a mão do produtor Jan de Bont (diretor de Velocidade Máxima), com a adrenalina em seu nível mais alto. Os curiosos carros compactos (talvez no futuro se entenda realmente que a única utilidade do automóvel é servir de meio de locomoção) que trafegam para frente, para trás e para os lados são algumas das idéias que Spielberg recolheu numa espécie de seminário com especialistas científicos durante três dias de discussões. Por isso a visão do futuro imaginado por esses técnicos parece tão factível para o espectador. Desde Blade Runner, os cenários futuristas não são tão instigantes.

Cineweb-2/8/2002

Luiz Vita


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