Diamante de Sangue

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País


Sinopse

Início da década de 90. Serra Leoa está em guerra civil. Danny Archer (Leonardo DiCaprio) é um mercenário rodesiano e Solomon Vandy (Djimon Hounsou), um pescador. Dois homens diferentes e um diamante valiosíssimo em comum. Na prisão, Archer descobre que o outro homem tem a pedra preciosa. Com a ajuda de uma jornalista norte-americana, Maddy Bowen (Jennifer Connelly), os dois embarcam numa jornada cheia de perigos para ajudar a família de Vandy.


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Crítica Cineweb

13/12/2006

Este é o tipo de filme que admiradores do cinema político clássico em geral se preparam para não gostar. Atitude normal, porque os produtos de Hollywood tendem a espetacularizar a violência tendo em vista justamente outro tipo de público. Mas, espertamente, Diamante de Sangue realiza uma proeza. Embala um comentário político sobre a (injusta) ordem mundial, a exploração do homem pelo homem e de continente sobre continente com uma aventura explosiva e vibrante. Por isso, poderá colher espectadores das duas tribos, em geral, inconciliáveis.

Moçoilas casadouras que sonham com um anel de diamantes no dedo e virem o filme terão elementos para se chocar com seu custo, não apenas em dinheiro, mas em vidas humanas, escravidão, mutilações, divisão de famílias, destruição de aldeias, desagregação de países.

A tragédia africana brota com ardor nesta história. A tragédia de um continente em que a riqueza – neste caso, a mineral – historicamente não tem se mostrado passaporte para o desenvolvimento e a emancipação que seriam naturais. Bem ao contrário, torna-se fator de instabilidade política, terror, violência, caos.

Com um casting principal na medida, o filme individualiza as questões que o enredo levanta. Leonardo DiCaprio, na pele de Danny Archer, abraça um papel até certo ponto antipático. Ele não é o herói clássico. É um aventureiro disposto a tudo para ganhar dinheiro. E é bom nisso. O posto de herói, aliás, pertence ao beninense Djimon Hounsou – que já levou o prêmio da respeitada National Board of Review como melhor ator coadjuvante em 2006 e ainda pode ir para a fila do Oscar.

Pai de família tomado como escravo em minas ilegais de exploração de diamantes em Serra Leoa, Solomon Vandy (Hounsou) sofre o desespero de alguém obcecado por reencontrar sua família, dispersada pela violência de uma sangrenta guerra civil no ano de 1999.No meio de sua dor, um golpe de sorte: encontra um enorme diamante cor-de-rosa, que consegue esconder, e se torna o motor da aventura.

Em algum momento, Danny e Solomon vão se encontrar e começa uma troca de favores típica de dois homens embrenhados numa luta pela sobrevivência. Solomon não é inocente. Sabe que a aliança com um homem branco, ainda que de caráter duvidoso, é essencial para sair vivo num meio mais do que inóspito. Sobreviver é também a especialidade de Danny. Nascido na antiga Rodésia (atual Zimbábue), perdeu os pais numa outra guerra civil, nos anos 70.Não se interessa por política, mas sabe tirar proveito dela. Faz as associações que for preciso para sobreviver - como com o temível coronel Coetzee (Arnold Vosloo), uma dessas figuras sinistras que sempre joga duplo com os dois lados das guerras e é sempre quem fica sempre no lucro, no final.

Outra boa parceria, esta mais positiva no caminho de Danny, é com a cínica jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connelly). Esperta, ela quer usá-lo para escrever suas matérias e os dois sabem disso. A situação entre o casal progride inexoravelmente para o romance. Mas é bom que o roteiro (de Charles Leavitt) contemple uma evolução dos personagens rumo a um sentimento genuíno, que vai um pouco além das normas açucaradas do manual de romances de Hollywood.

Leonardo DiCaprio entrega uma das melhores performances de sua carreira tirando partido do fato de não precisar ser bom nem bonito o tempo todo. Ponto para ele. Muitos atores no seu lugar, vaidosamente, não abririam mão de nada disso. De quebra, ele cria uma interpretação com força para competir consigo mesmo nas indicações ao Oscar, onde já é dada como certa sua participação pelo papel do atormentado policial Billy Costigan em Os Infiltrados.

Outro aspecto positivo do filme é mostrar como se fabrica um guerreiro mirim, expondo esse hediondo processo de seqüestro de crianças e lavagem cerebral que produz milícias infantis assassinas em todas as guerras africanas, um dos maiores dramas do continente. Talvez Edward Zwick não tivesse filmado Diamante de Sangue com esta carga de realidade se antes não tivesse havido O Jardineiro Fiel, do brasileiro Fernando Meirelles. Ao ir além do livro que adaptava, mostrando os esgotos da maior favela queniana, Meirelles abriu um caminho.

Além do puxão de orelhas no consumismo alienado dos compradores de diamantes ilegais, Zwick também não esquece da guerra do Iraque. Numa cena, um camponês africano comenta a guerra civil com Solomon e arremata: "Ainda bem que não temos petróleo".

Neusa Barbosa


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