Fonte da Vida

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País


Sinopse

Através dos séculos, um casal (Hugh Jackman e Rachel Weisz) tenta driblar a morte em busca de um elemento que possa dar-lhes a vida eterna. No passado, uma rainha européia manda um conquistador até a civilização Maia em busca de uma árvore. No presente, um médico tenta descobrir uma cura para o câncer. No futuro, um viajante espacial vai em busca de uma estrela morta.


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Crítica Cineweb

23/11/2006

Depois de dois filmes pequenos e de bom resultado, Pi e Réquiem Para um Sonho, o diretor norte-americano Darren Aronofsky se aventura em algo bem mais ambicioso e pessoal com Fonte da Vida. Ele trabalha nesse projeto há anos e quase teve que cancelá-lo devido ao alto orçamento. Para conseguir viabilizá-lo, cortou os gastos pela metade ao reescrever o roteiro. Esse é também o primeiro filme do cineasta feito para um estúdio (na verdade, dois dividiram os gastos e a distribuição). E, como se sabe, esse tipo de produção é muito mais asfixiante e tem menos liberdade artística do que a independente, na qual o diretor tem mais poder sobre sua obra. Fica claro, que embora Aronofsky assine direção e roteiro (mas não produção), o diretor não teve sorte ao fazer transição de um modelo de produção mais artesanal para aquele mais industrial. Uma pena, pois ele despontava como um dos grandes talentos da cena indie.

Os cortes de roteiro necessários para viabilização da produção ficam evidentes e acabaram resultando num filme confuso, com idas e vindas no tempo. Fonte da Vida segue a luta de um casal ao longo de três séculos tentando vencer a morte. Fica claro que Aronofsky pretende celebrar a força do amor eterno, e o triunfo sobre a morte. Para isso, o filme repete cenas em séculos distintos, diálogos e símbolos. No entanto, o resultado nunca vai além de um misticismo barato, que se torna mais vazio com a incessante trilha minimalista e new age de Clint Mansell.

O diretor e roteirista quer cruzar três gêneros num filme – tudo ligado por uma história de amor. No passado, situa-se um épico histórico, em que uma rainha européia delega a um conquistador a tarefa de encontrar uma árvore mítica perdida no meio da civilização Maia. No futuro, há uma ficção científica, em que um homem conduz uma árvore dentro de uma bolha rumo a uma estrela que está morrendo – e nesse lugar pode-se originar vida. A morte, como exploram as situações do filme, pode ser um ato de criação.

O segmento menos problemático é o que se passa no presente, dominado por um drama hospitalar. Um pesquisador luta contra o tempo em busca de uma forma de curar um tumor cerebral que consome a vida de sua amada. Para isso, realiza diversos testes em laboratório e parece estar próximo de uma descoberta, mas o tempo nunca está a seu favor.

Aronofsky tenta criar um filme circular, com grande impacto visual, mas pouca ressonância ou profundidade emocional ou filosófica – embora, claramente, a intenção fosse o contrário. O diretor é, no mínimo, ousado – mas seus malabarismos técnicos (fotografia e edição, em especial) perdem a força, pois nunca estão a serviço de uma boa narrativa, que truncada, se dilui facilmente.

O personagem masculino é sempre interpretado por Hugh Jackman, e o feminino, por Rachel Weisz. Embora os dois sejam comprovadamente talentosos, não há muito o que possam fazer, uma vez que seus personagens não têm muita profundidade psicológica ou emocional. O roteiro nunca lhes dá bom material em que trabalhar. Assim, o público nunca realmente simpatiza com eles, pois parecem não ser gente de verdade.

Várias vezes alguns personagens repetem a frase: “A morte é o caminho para o sublime”. Essa idéia é o que tenta dar conexão aos segmentos, mas isso nunca se concretiza. Aqui, a morte parece vazia, sem sentido, desnecessária. Assim como o filme. Não por acaso, Fonte da Vida foi vaiado quando apresentado em competição no Festival de Veneza, em setembro.

Alysson Oliveira


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