O Céu de Suely

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Hermila (Hermila Guedes) volta a Iguatu (CE) depois de muitos anos em São Paulo. Leva o filho pequeno e espera que o namorado venha juntar-se a ela. O que não acontece. Diante da falta de perspectivas da cidade, ela inventa um meio de ganhar dinheiro para voltar a viajar: rifar uma noite de amor. A decisão causa conflito na cidade e em sua família.


Extras

- Rifa-Me (curta-metragem que deu origem ao longa)


- Making Of


- Cenas excluídas

- Trailer


- Filmografia do diretor


- Prêmios e críticas


- Fotogaleria


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

15/11/2006

Tal como em Madame Satã (2002), este novo filme de Karim Aïnouz é traçado no corpo, à flor da pele. Sua história se desenrola dentro da carne, tão natural como sol em estado bruto entre as nuvens, descrevendo a trajetória de uma personagem, Hermila (Hermila Guedes) tão humana e autêntica, que sofre sem abdicar da integridade, mesmo quando desafia os preceitos morais. O que ela faz quando, numa reação ao abandono do namorado e à pobreza e falta de perpectivas de sua terra, Iguatu (CE), decide juntar dinheiro com a rifa de uma noite de amor, que irá financiar sua próxima viagem para o sul.

É um filme de mulheres. Além de Hermila (Suely é o nome que ela inventa para protagonizar sua rifa), existe a figura magnética de sua avó (Maria Menezes) e sua tia (Zezita Matos), corajosamente homossexual num meio tão tacanho. A cena de discussão entre as três coloca as diferenças de geração com uma propriedade e poder de síntese que dispensa outros discursos. Aliás, a economia e eficiência de meios que o filme usa para contar sua história é uma de suas melhores qualidades. Embora seja uma narrativa enxuta, é permeada por uma câmera quase lírica (de Walter Carvalho), que enuncia uma poesia concreta e despojada.

Hermila é uma personagem intensa em sua recusa de sucumbir de novo à ilusão romântica (representada pelo personagem de João Miguel, de Cinema, Aspirinas e Urubus), optando pela liberdade a partir de um pragmatismo que adentra a crueldade, nessa decisão pelo auto-rifa – muito lógica, afinal, se se pensar que aos pobres e desvalidos da ordem econômica não resta muito mais do que o próprio corpo. Nesse sentido, o filme é também político.

Assiste-se aqui a um cinema que procura um realismo sem disfarces nem cosmética, encharcado de um humanismo que não tem época e por isso nunca fica datado nem precisa de atualização. A opção de Aïnouz é pelo ser humano e sua circunstância – e só. É quanto basta para compor esta obra fundamental, que no Festival do Rio colheu os prêmios de melhor filme, diretor e atriz.

Neusa Barbosa


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