Volver

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Sinopse

Raimunda (Penélope Cruz) é uma faxineira sacrificada, mãe de uma adolescente (Yohanna Cobo). Uma tragédia familiar leva Raimunda a um reencontro com suas raízes, em sua aldeia, onde lhe dizem que o fantasma de sua mãe (Carmem Maura) é visita constante de sua tia (Chus Lampreave). O acaso leva a faxineira a tornar-se dona de restaurante e viver uma nova fase em sua vida.


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Crítica Cineweb

06/11/2006

Em seu 16º filme, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar volta às mulheres, distanciando-se do universo eminentemente masculino de seu último filme, Má Educação. E também, assumidamente, retorna às raízes, à aldeia, à infância, à lembrança de sua mãe, a Penélope Cruz (que fez com ele antes Tudo sobre Minha Mãe) e, mais espetacularmente ainda, a Carmem Maura. Atriz e diretor fizeram juntos vários de seus filmes de começo de carreira, inclusive o sucesso que definiu a virada no conceito internacional de Almodóvar, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos(1988). Depois brigaram, por motivos que nenhum dos dois se dispõe a esclarecer, até esta bem-vinda reconciliação.

Almodóvar volta também a revelar as influências de outros diretores que marcaram seu cinema. Em Volver, com predomínio absoluto do cinema italiano. A personagem de Penelope Cruz, Raimunda, é assumidamente inspirada em Sophia Loren, tanto no seu visual (o penteado e o figurino), quanto na personalidade elétrica, ativa, esfuziante e sexy. Centro da energia do esplêndido filme, Penélope, aliás, transfigura-se, até fisicamente sob a direção de Almodóvar. Nos muitos filmes de Hollywood que tem feito, ela aparece magra, pálida, sem viço. Parece mesmo desprovida de qualquer talento nesses limitados papéis norte-americanos. Em Volver, ao contrário, ela é uma leoa. Transborda exuberância em todos os sentidos. Parece ter uma persona que só o espanhol parece ter o poder de fazer desabrochar.

A outra referência ao cinema italiano é uma breve cena de Belíssima, de Visconti. É uma declaração de amor de Almodóvar tanto por Visconti quanto por Anna Magnani - que ele afirmou em entrevistas ser seu modelo de maternidade. O argumento central de Belíssima sinaliza um tema polêmico que está no cerne do drama de Volver - o abuso sexual de pais contra filhas. Há mais de uma situação nesse sentido envolvendo as personagens da família central - duas irmãs (Penélope Cruz e Lola Dueñas), a filha de uma delas (a jovem revelação Yohana Cobo) e sua mãe Irene (Carmem Maura) que, morta, volta para cuidar de problemas não só delas quanto de sua própria irmã (Chus Lampreave) e uma grande amiga da família (Blanca Portillo).

Em torno deste admirável sexteto feminino – que dividiu com justiça o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes 2006 - , Almodóvar constrói um verdadeiro altar para que suas ótimas atrizes brilhem, ofuscando de muito os raros homens do elenco, todos em pequenos e desimportantes papéis. Os homens são meros figurantes nesta saga de luta, paixão, acertos de contas e perdão que se processa entre várias gerações.

Almodóvar acerta mais uma vez em cheio no coração feminino, com toda a complexidade e riqueza dos matizes das personalidades das mulheres, compreendendo-as sem julgá-las nem estereotipá-las.

Neusa Barbosa


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