Cálculo Mortal

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Crítica Cineweb

06/02/2003

Encarar a natureza do mal e revelar como nasce o perverso fascínio que leva alguns a acalentarem a idéia de cometer o crime perfeito é uma tarefa das mais ambiciosas, seja para um escritor, dramaturgo ou cineasta. Alfred Hitchcock conseguiu produzir uma obra que realizou essa ambição, Festim Diabólico (48) - que partia, por sua vez, de uma peça teatral escrita por Patrick Hamilton, adaptada para o cinema por Hume Cronyn.

Não admira que um resultado tão enxuto e próximo do que se pode chamar de perfeição leve um cineasta a querer homenagear a obra original. É o que faz este filme de Barbet Schroeder, diretor iraniano radicado na França, famoso por O Reverso da Fortuna (90). Mas, sem a mesma ambição de Hitch e daqueles que o inspiraram, além de sofrer os acréscimos e atualizações que Hollywood considera indispensáveis para seduzir as grandes platéias de hoje, o que resta é pouco mais do que um arremedo. Uma pena, porque o tema permanece tão atual quanto inquietante.

O roteiro - de Tony Gayton - parte do plano de dois adolescentes de classe média alta, Richard (Ryan Gosling) e Justin (Michael Pitt), de cometer um assassinato perfeito. Por puro tédio, com frieza e cálculo atrozes, escolhem uma vítima desconhecida a esmo e têm o cuidado de espalhar pistas que levem a um falso culpado. Quem se encarrega da investigação é uma policial experiente, Cassie Mayweather (Sandra Bullock), que usará toda a sua intuição e um bocado de sua experiência traumática de vida para desmontar o quebra-cabeças, com a ajuda de seu assistente (Ben Chaplin).

Seria muito mais instigante se não houvesse uma determinação tão insistente de explicar o jogo de gato e rato entre a policial e os garotos o tempo todo. Ou seja, desaparece toda a sutileza do filme original de Hitchcock em favor da mão pesada dos clichês, que sempre partem do princípio de que a platéia não seja esperta ou que não possa correr até a locadora mais próxima e alugar Festim Diabólico o mais depressa possível.

Cineweb-19/7/2002

Neusa Barbosa


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