Downtown 81

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Crítica Cineweb

05/02/2003

Alguns críticos vinculam a arte de Jean-Michel Basquiat (1960-1988) à música que, como poucos sabem, era grande paixão do artista plástico, fenômeno dos anos 80 e já biografado em Basquiat - Traços de Uma Vida (1996), de Julian Schnabel. Downtown 81 percorre outro caminho e usa o artista como pretexto para mapear a emergente cena da música new wave, além do hip hop que nascia junto com o grafite.

Restritos ao downtown de Nova York, os afro-latinos acabaram por desenvolver uma cultura própria que deu origem ao hip hop, à electric boogie, ao break e ao grafite. Filho de um haitiano e uma porto-riquenha, Basquiat circulava por esse cenário com desenvoltura e, além dos textos mordazes escritos nos muros, tocava na banda Gray.

Interpretando a si mesmo no filme, Basquiat, aos 19 anos, vaga pelas ruas de Nova York após passar algum tempo no hospital. Ele tem de encontrar um comprador para uma de suas telas e pagar o aluguel do apartamento do qual foi despejado. Durante a noite, percorre os clubes em busca de uma bela garota que conheceu durante a tarde, sua última esperança de descolar um local para dormir.

Durante apenas um dia, tempo em que a fita acompanha Basquiat, passam pelas telas performances incríveis como a da banda The Plastic, liderada por Chika Sato, que interpreta a ótima Copy. Pode-se ouvir também grupos como Tuxedomoon, Kid Creole and Coconuts, DNA, Debbie Harry e sua banda Blondie, além da própria Gray que toca So Far So Real e Drum Mode. Todos se apresentam com maquiagens e roupas brilhantes ao melhor estilo glam, contrastando com os desleixando punks da década anterior.

Downtown 81, inicialmente batizado como New York Beat Movie foi rodado no inverno de 80, mas problemas financeiros interromperam a pós-produção. Partes do filme foram perdidas na Europa e só foram encontradas novamente em 1998, dois anos antes da exibição na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2000.

O maior problema da fita é a narração de Saul Williams, organizada como sendo os pensamentos do protagonista, mas que repete diálogos ou os antecede. A linearidade dessa opção também aproxima o texto mais da fala do que do caótico aglomerado de idéias da mente humana.

Cineweb-7/2/2003

Luara Oliveira


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