A. I. - Inteligência Artificial

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/01/2003

A expectativa em torno de Inteligência Artificial era enorme. Afinal, não é todo dia que um filme combina nomes tão ilustres quanto Stanley Kubrick, idealizador do projeto, e Steven Spielberg, seu roteirista e diretor. Mas embora esta ficção tenha momentos sublimes, o resultado não é totalmente satisfatório.

Baseado no conto "Superbrinquedos Duram o Verão Todo", de Brian Aldiss, o futurista A. I. retoma questões de filmes como Blade Runner (1982) e O Homem Bicentenário (1999), ou seja, a relação entre homem e máquina, e o que é (e quanto vale) ser humano. A.I. também remete, como observou o crítico A. O. Scott, do New York Times, a outros trabalhos de Spielberg, como E.T e O Império
do Sol
, nos quais "uma criança solitária defronta-se com a incompreensão e a crueldade do mundo adulto". Essa situação, por sua vez, remete à infância do próprio diretor.

No entanto, a maior inspiração - beirando a refilmagem - é Pinóquio. Assim como no conto de Carlo Collodi imortalizado pela Disney, o protagonista (o impressionante ator-mirim Haley Joel Osment, de O Sexto Sentido) também deseja tornar-se um menino de verdade e vai procurar, inclusive, a fada azul do clássico infantil para concretizar seu sonho.

Mas em vez de um boneco de madeira, a criança é um robô, uma inteligência artificial, um "meca"
(mecânico) e não um "orga" (orgânico), como são conhecidos os andróides e os humanos no filme. Desenvolvido pelo professor Hobby (William Hurt), da Cybertronics Manufacturing, David é a primeira máquina programada para ter sentimentos e está sendo adquirido por um casal cujo filho está entre a vida e a morte. O filme mostra os problemas decorrentes dessa insólita relação e a jornada de David para tornar-se humano e, assim, ser amado pela mãe (Frances O`Connor). Em sua busca, é acompanhado por outros dois robôs: um ursinho e o gigolô Joe (Jude Law, numa notável caracterização).

Apoiado em recursos técnicos de cair o queixo, Inteligência Artificial é fascinante mas irregular, e seu final - no qual manifesta-se, mais uma vez, a obsessão de Spielberg pelos extraterrestres - sobrecarregado de informações, o que confunde o espectador e dificulta um completo envolvimento. A conclusão também vem sendo acusada de sentimental, crítica recorrente ao diretor. É verdade que faltou ousadia ao desfecho, mas a opção pela emoção não pode ser considerada absurda e ninguém melhor do que Spielberg, auxiliado pela preciosa música de John Williams, para levar o público às lágrimas.

A histórica parceria com esse genial compositor já rendeu várias outras trilhas sonoras memoráveis, como Tubarão (1975), Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), Os Caçadores da Arca Perdida (1981), ET - O Extraterrestre (1982), O Império do Sol (1987) e A Lista de Schindler (1993).

A. I. não deve agradar a todos - é um filme menos acessível do que a maioria dos outros trabalhos do diretor - mas não deixa de ser uma experiência recomendável. Entre outras coisas, faz refletir sobre os rumos da humanidade num mundo cada vez mais evoluído em termos tecnológicos. Além disso, é um filme de Steven Spielberg, e isto já é suficiente para torná-lo quase obrigatório.

Fábio Massaine Scrivano


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança