Veias e Vinhos - Uma História Brasileira

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Adaptação do romance homônimo do escritor goiano Miguel Jorge sobre o chocante massacre de uma família em Goiânia, um caso real ocorrido em 1961. Por trás da morte brutal de um casal (Leonardo Vieira e Simone Spoladore) e seus três filhos pequenos, está um capitão (Celso Frateschi) obcecado pela perseguição a esquerdistas reais ou imaginários, entre os quais ele inclui o pai da família, dono de um pequeno mas próspero armazém. Não contente em mandar liqüidar o homem, o capitão monta uma farsa no inquérito para incriminar como mandante o irmão do morto.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/09/2006

O diretor paulista João Batista de Andrade (do documentário Vlado) é um apreciador do cinema político e do cinema italiano dos anos 60 e 70. Segue estas duas inspirações para compor esta adaptação do romance do autor goiano Miguel Jorge, em torno de um crime bárbaro, ocorrido em Goiânia em 1961. Uma família de comerciantes, pai, mãe e três filhos, foram assassinados em sua própria casa por um policial, que teve o requinte de incriminar pelas mortes o próprio irmão do chefe da família. Um erro judiciário que levou anos para ser esclarecido.

Mateus (Leonardo Vieira) e Pedro (Leopoldo Pacheco) são dois irmãos que recorrem a um agiota (Antonio Petrin) para abrir um bar-armazém. O lugar se torna próspero com esforço deles e da mulher de Mateus, Antônia (Simone Spoladore). Mostrando como era frágil a normalidade democrática vivida no começo dos anos 60, seguindo-se à renúncia de Jânio Quadros e à posse de João Goulart, Mateus atrai o ódio do chefe da polícia local, conhecido como Capitão (Celso Frateschi). O motivo: Mateus insiste em deixar na parede do bar os retratos de duas figuras que admira, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, tidos como “esquerdistas” pelo truculento policial.

O que incomoda também o Capitão é que o bar torna-se ponto de encontro dos sindicalistas que atuam para organizar os motoristas de ônibus, tendo à frente João Vitor (Ailton Graça). A animosidade entre o dono do bar e o policial chega a uma briga. Que terá como conseqüência trágica o massacre de toda a família de Mateus, ele incluído.

Como é de seu hábito, João Batista faz um filme que segue didaticamente um plano predefinido. Procura posicionar opressores e oprimidos e mover as consciências de uma forma pesada, dura, artificial. Ao fazer isso, enfraquece sua história, tornando-a um melodrama pesado e sem ritmo. Mesmo atores inegavelmente dotados, como Celso Frateschi e Simone Spoladore, sem contar José Dumont (como o mendigo Piolim), estão desperdiçados aqui. Uma tentativa de introduzir um sabor poético com a participação de uma avó falecida (Eva Vilma) também resulta ineficaz. É o caso de uma boa e forte história que não encontrou seu rumo nem o tom.

Neusa Barbosa


Comente
Comentários:
  • 31/05/2014 - 23h27 - Por Francisco Lima Sou obrigado a concordar com a crítica; uma vez que, assistir ao filme passa a ser um exercício de paciência. A história não flui com naturalidade e o filme arrasta. Sobra a relevância política e didática ao invés de um belo filme.
Deixe seu comentário:

Imagem de segurança