Café da Manhã em Plutão

Ficha técnica


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País


Sinopse

Patrick “Gatinha” Braden (Cillian Murphy) é um jovem órfão que desde pequeno gosta de se vestir de mulher. Quando busca sua independência, encontrará pela frente um mundo cruel e turbulento. Mas nada o impedirá de procurar sua mãe, que se parece com uma estrela de cinema.


Extras

- Comentário em áudio de Neil Jordan e Cillian Murphy (sem legendas)

- Nos Bastidores (sem legendas)

- Trailers (sem legendas)


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/08/2006

Em 1992, o irlandês Neil Jordan entrou de vez no mapa do cinema mundial com seu drama Traídos Pelo Desejo. O filme fez sucesso e polêmica por onde passou, não apenas por tratar de terrorismo, mas principalmente por trazer um transexual num dos papéis principais. Acabou levando o Oscar de roteiro original. A grande sacada do cineasta foi induzir todos a pensarem que se tratava de uma mulher e, no meio do filme, expor explicitamente que era um homem. Isso transformou o longa de mero suspense a uma complexa história de amor e drama existencial, de uma pessoa em busca da afirmação de sua identidade.

Treze anos e oito filmes depois, Jordan retoma o tema da identidade sexual, mas com um registro diferente. Em Café da Manhã em Plutão, o protagonista é Patrick “Gatinha” Braden, interpretado com astúcia por Cillian Murphy (indicado ao Globo de Ouro), um travesti que vive na Irlanda e Inglaterra dos anos 60 e 70. O roteiro, assinado pelo diretor, é baseado num livro de Patrick McCabe, o mesmo de Nó Na Garganta (97), que também causou polêmica ao mostrar um garoto com instintos psicopatas.

Essa parceria, Jordan/McCabe, começa a definir uma espécie de assinatura. Os dois filmes têm um olhar terno sobre um personagem que não é visto como ‘normal’ pela sociedade. Seja o menino atormentado de Nó na Garganta ou o travesti ingênuo de Café da Manhã, a dupla os olha e retrata com ternura e compaixão, sem, porém, paternalizar os personagens.

O roteiro é conduzido como crônica da vida de Patrick. Dividido em capítulos, o filme mostra diversas aventuras do personagem ao longo dos anos, que quase sempre refletem a relação tensa entre Inglaterra e Irlanda. O protagonista é uma espécie de Cândido moderno, tão ingênuo quanto o famoso personagem criado por Voltaire, no século XVIII. Jordan imprime um tom de fábula surreal, misturando acontecimentos reais com a doçura de um mundo à parte. Um universo onde convivem dois passarinhos que trocam confidências e fofocas e explosões terroristas.

Nascido na Irlanda, filho de um padre (Liam Neeson) com uma empregada, o rapaz nunca conheceu sua mãe). Foi criado por uma família adotiva que não o trata bem. Sem saber quem é seu pai, Patrick acaba ficando amigo do religioso e ganhando abrigo em sua casa. Quando descobre a sua afinidade com o mundo feminino, o personagem começa a se vestir com roupas extravagantes e usar maquiagem – no melhor estilo de sua época. Depois de sair de casa, acaba se envolvendo com o líder de uma banda de música pop. Os dois chegam até a morar juntos. Mas a felicidade do rapaz não dura muito, pois descobre que seu amado está envolvido com o IRA. Os acontecimentos reais estão lá para lembrar que a vida não é sonho.

No entanto, isso não o impede de sair em busca da felicidade, e encontrar o seu lugar num não muito propenso a aceitar pessoas diferentes. Diversos amores e vários perigos cruzam a vida de Patrick, que nunca perde o bom humor e vai para Londres em busca de sua mãe, que, ao que consta, parece uma estrela de cinema.

Em Café da Manhã em Plutão, Jordan opta por um registro bem colorido dos loucos anos 60 e 70. Aparentemente, política, flower power e psicodelia estão todos no mesmo pacote, no qual as diferenças são mínimas. O visual cheio de brilho, plumas e paetês estabelece um diálogo com Velvet Goldmine(98), de Todd Haynes, também situado na Londres da mesma época. Jordan transforma a dolorosa motivação de seu personagem,a busca pela mãe, em poesia visual. E Murphy torna um personagem que cairia facilmente na caricatura, numa pessoa de carne, osso e brilho.

A trilha sonora só contribui para se fazer uma verdadeira viagem no tempo, indo desde a uma música que fala de um doce amor e a melancolia da morte da pessoa amada até a poderosa “Children of Revolution” - que, como em Billy Elliot, mostra os filhos da revolução em busca de seus ideais . Café da Manhã em Plutão é uma jornada visual e sonora de um personagem que reflete um país em busca de sua própria identidade.

Alysson Oliveira


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