Saraband

Ficha técnica

  • Nome: Saraband
  • Nome Original: Saraband
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Alemanha
  • Ano de produção: 2003
  • Gênero: Drama
  • Duração: 120 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Ingmar Bergman
  • Elenco: Liv Ullmann

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Locais de filmagem


Sinopse

Mais de trinta anos depois de Cenas de um Casamento, o cineasta Ingmar Bergman retoma os personagens Marianne (Liv Ullmann) e Johan (Erland Josephson), que voltam a se encontrar. O filme foi produzido para a TV, e no Brasil lançado direto em DVD.


Extras

-Making Of


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

07/08/2006

Lançado diretamente em DVD no Brasil, o drama Saraband traz entre seus extras um making of, no qual o diretor do filme, Ingmar Bergman, diz que este é o seu último trabalho e por isso queria que ‘ficasse perfeito’. E ele conseguiu. Em suas duas horas, o filme faz justiça ao tamanho e importância do cineasta, que retoma os personagens de Cenas de um Casamento (1973), trinta anos depois, com esse longa feito para TV, e exibido em cinema em alguns países.

Em Saraband, Marianne (Liv Ullmann) e Johan (Erland Josephson) voltam a se encontrar décadas depois de terem se separado em Cenas de um Casamento, e são, praticamente, outra pessoa. Cada um levou sua vida longe do outro, formaram novas famílias, conhecerem amigos, viveram outros amores. O reencontro é a possibilidade para descobertas.

Bergman, mais do que nunca, se mostra um profundo conhecedor e entendedor da alma humana, principalmente das aflições que retrata tão bem em seus personagens. Com quase 90 anos, o cineasta não se mostra anacrônico, mas, sim, com uma visão ainda mais aguçada dos jogos amorosos e emocionais a que as pessoas se submetem. As relações amorosas e familiares têm um papel central em Saraband, que além do casal traz em cena Henrik (Börje Ahlstedt), e Karin (Julia Dufvenius) filho e neta de Johan.

Também roteirista, Bergman arma sofisticada teia de relacionamentos entre os quatro personagens, na qual os relacionamentos familiares prestes a explodir e a música clássica são os fios condutores. Saraband pouco fala do passado, aqui se olha o presente e o futuro. Mariane e Johan pouco têm a dizer sobre o casamento que naufragou, nem ficar ruminando o que e porque deu errado. Assim, o filme não revisita velhas feridas, mas cria novas.

As relações entre pais e filhos (Johan/ Henrik e Henrik/Karin) mostra que os mesmos erros podem se repetir entre gerações, ou se tornarem piores. Henrik tem uma relação abusiva com sua filha, consumindo-a emocionalmente cada vez mais. Ele cobra dela coisas que a garota não quer, mas acaba se forçando a fazer, sem saber ao certo porque. Quem se torna uma salvação para ela é a ex-mulher do avô, que não conhecida. Como a morte da mãe ainda é recente, a garota sente falta da presença feminina em seu ambiente, e Marianne consegue a suprimir.

O que o cineasta está buscando, e consegue, é explorar as aflições humanas, e faz isso, algumas vezes, com uma agonia assustadora. Aos poucos, Saraband mostra que as dores emocionais são piores do que as físicas. Marianne e Johan mal se encontram ao longo do filme, não existe uma tentativa de reconciliação – nem é esse o objetivo aqui. O que o cineasta quer é ver como esses dois seres humanos sobreviveram ao longo desses trinta anos – se é que eles não tivessem sucumbido antes, o que seria até plausível. Liv Ullmann certamente é uma das atrizes que mais bem entende o universo de Bergman, por diversos motivos, não só por ser sua interprete mais recorrente, mas também porque foi casada com o cineasta. Aqui ela mostra domínio completo desse mundo, dessas vidas. A jovem Julia Dufvenius também está memorável, em um papel complexo e cheio de nuances.

Com esse seu ‘último filme’ (Bergman ensaia seu canto do cisne há mais de vinte anos), o cineasta mostra que ninguém é capaz de fazer filmes como ele. Seja em sua gramática árida, em sua honesta crueldade, o diretor vai fundo, andando num campo minado no qual poucos se aventuram nos últimos anos. Seus personagens percebem que sonhar já não vale mais a pena, que o mundo é duro, cruel – nesse momento, Saraband deixa de ser um filme e se transforma num poderoso documento sobre a condição humana.

Alysson Oliveira


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