O Libertino

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País


Sinopse

No século 17, depois da restauração da monarquia, com Carlos II (John Malkovich), a Inglaterra vive um período de florescimento das artes. Entre os artistas mais famosos, está o duque de Rochester (Johnny Depp), um escritor que escandaliza a sociedade com seus escritos obscenos, suas bebedeiras e farras com mulheres.


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Crítica Cineweb

26/06/2006

Este original drama histórico, longa de estréia do diretor britânico Laurence Dunmore, recupera a face mais rebelde do ator Johnny Depp. Depois de passar muitos anos conduzindo uma carreira em que se especializou em tipos excêntricos e outsiders – como em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador, Edward Mãos de Tesoura, Arizona Dream e Antes do Anoitecer – Depp foi aceito no mainstream ao encarnar o capitão Jack Sparrow, de Piratas do Caribe - que o levou à sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator.

O Libertino, porém, é material de outra ordem, capaz até de chocar os fãs do sucesso da Disney. Depp relembra a todos o ator versátil que sempre foi ao encarnar John Wilmont, o segundo duque de Rochester. Um homem que, apesar da origem nobre, nunca se acomodou ao papel que a conservadora sociedade de seu tempo, o século 17, esperava dele. Mesmo valente e heróico, lutando em guerras contra os holandeses, ele acaba cumprindo um tempo preso na Torre de Londres por ter raptado uma rica herdeira, Elizabeth Malet (Rosamund Pike) – que afinal acaba se casando com ele – e dito obscenidades na presença do rei Carlos II (John Malkovich).

Apesar de tudo, o rei tem especial afeto pelo duque, cujos dotes literários aprecia. Mais do que isso – encomenda-lhe uma peça de teatro que seja o retrato de seu reinado. Talento não falta a John Wilmont, mas ele prefere dissipar seu tempo em bebedeiras homéricas e na companhia de mulheres. Acaba se apaixonando por uma atriz, Elizabeth Barry (Samantha Morton), mas não se trata bem de uma paixão apenas carnal. Ela o intriga em vários outros sentidos. E ele acaba assumindo o desafio de transformá-la numa grande intérprete dos palcos, o único lugar onde o espírito atormentado e até um tanto autodestrutivo de Wilmont encontra uma pausa e um refúgio.

O convite do rei, ao invés de estimular o duque a domar seu instinto iconoclasta, leva-o justamente na direção contrária. Não há nada que anime mais o duque do que um bom escândalo e é isto o que ele prepara. John Wilmont está longe de ser um personagem simples. Como ele diz em seu monólogo inicial, as pessoas não irão gostar dele. Realmente, não é fácil amá-lo. Por isso mesmo é que a presença de Johnny Depp se revela a mais justa escolha deste projeto, em que Stephen Jeffreys adapta sua própria peça teatral e tem como um dos produtores John Malkovich, que havia interpretado John Wilmont no Stepphenwolf Theatre, nos EUA. A gravidade da história e os espaços sombrios do protagonista podem, realmente, assombrar alguns espectadores, especialmente sua total amoralidade e a obscenidade de sua obra literária. Quem não se escandalizar com uma história madura, entretanto, terá muito a aproveitar.

Neusa Barbosa


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