Meu Amor de Verão

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Sinopse

Mona e Tamsin se conhecem por acaso durante as férias de verão e se tornam amigas. Cada vez mais próximas, começa a existir um jogo de sedução entre elas. Mas o irmão de uma, que está se tornando um fanático religioso, vai interferir.


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Crítica Cineweb

08/05/2006

Quando as personagens Mona (Nathalie Press) e Tamsin (Emily Blunt) se encontram pela primeira vez, logo no inicio do drama Meu Amor de Verão (ganhador do BAFTA de melhor filme britânico, em 2005), elas vão em direções opostas. Não apenas isso: uma está numa lambreta velha, a outra a olha do alto de seu cavalo de raça e majestoso. Esse contraste dá o tom ao filme. Mona vive em situação precária com o irmão (Paddy Considine), que saiu da cadeia há pouco e reencontrou Jesus. Já a amiga é filha de pais ricos e ausentes e está passando uma temporada numa charmosa mansão da região de Yorkshire.

Com esses elementos, o diretor polonês (radicado na Inglaterra) Pawel Pawlikowski traz o que o cinema inglês pode oferecer de melhor: desejos reprimidos e luta de classes. Seu olhar para detalhes emocionais de seus personagens e do mundo em que vivem levou o cineasta a ser comparado a Mike Leigh (O Segredo de Vera Drake). Mas o diálogo deste seu trabalho é mais evidente com o de outros cineastas. No filme, há algo da inocência perdida de As Virgens Suicidas, o excepcional filme de estréia de Sofia Coppola. Há também um quê do arrebatador Almas Gêmeas, o melhor trabalho de Peter Jackson. Há também uma relação com o brilhante Morven Callar (inédito no circuito cinematográfico brasileiro), da cineasta escocesa Lynne Ramsay – aliás, muito negligenciada pelas distribuidoras brasileiras e que merecia ser descoberta aqui, para o bem dos cinéfilos.

Ainda assim, Pawlikowski encontra o seu próprio estilo que, nesse caso, é composto por uma luz difusa, interpretações primorosas e uma direção segura que sabe o que quer dizer com suas imagens. E que imagens! Meu Amor de Verão é um filme que vai se delineando aos poucos. Ele também assina o roteiro (inspirado num livro de Helen Cross), que conta como as duas amigas se aproximam e as conseqüências dessa amizade.

Ainda seguindo a idéia dos opostos, o cineasta mostra a diferença das duas meninas em relação aos interesses e a forma como vêem a amizade. Mona é muito mais sincera e honesta, enquanto Tamsin parece mais blasé. Quando as duas mostram seus reais interesses, Meu Amor de Verão alça vôos mais altos e se sai bem.

As atrizes Nathalie Press e Emily Blunt são jovens, quase estreantes, e convencem em dois papéis complexos e cheios de nuances. Paddy Considine também realiza um trabalho de extrema competência num personagem cheio de conflitos internos, que tenta converter sua irmã, tirando-a de um mundo de suposta perdição. Ainda assim, Mona não é um mero marionete disputado pela amiga e pelo irmão. Como se revela depois, ela tem interesses próprios.

Com seu clima sensual e onírico, com uma trilha sonora que ajuda a compor um clima de alucinação e assombro, Meu Amor de Verão é um daqueles filmes sob medida para se tornar cult. Um trabalho sofisticado que merece ser descoberto.

Alysson Oliveira


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