Vinho de Rosas

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Poucos dias antes de fazer seus votos e se tornar freira, Joaquina descobre que pode ser filha de Tiradentes. Tempos depois de fugir do convento, encontra sua mãe à beira da morte e decide ajudá-la.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

26/04/2006

Escrito e dirigido por Elza Cataldo, este drama histórico tem como pano de fundo a Inconfidência Mineira e seu mártir Tiradentes. A trama parte de uma história pouco conhecida. Tiradentes teve uma filha com Antônia do Espírito Santo e pouco se sabe sobre o destino da menina. Para confirmar sua existência, foram encontradas apenas uma certidão de nascimento e uma citação no censo de 1804. A diretora, então, cria uma biografia para essa garota.

Como na época a lei vigente obrigava que a pena do pai recaísse também sobre seus filhos, Antônia (Fernanda Vianna) deixou sua filha Joaquina (Amanda Vargas) num convento, onde a menina aprendeu os segredos de fabricar o famoso vinho de rosas.

Com 18 anos, pouco antes de fazer seus votos religiosos, Joaquina descobre que é filha de Tiradentes e que sua mãe está viva. Ela decide fugir para desvendar o seu passado. Depois de encontrar uma trupe de artistas mambembes, a garota vai parar em Vila Rica (atual Ouro Preto).

Com a sua formação religiosa, Joaquina consegue um emprego na Igreja do Pilar. Enquanto tenta descobrir novas informações sobre seu pai, ela encontra sua mãe à beira da morte. A única companhia da moribunda é uma escrava, que lhe foi doada por Tiradentes. O vinho de rosas se torna um poderoso remédio na tarefa de salvar a vida de Antônia.

Esse novo contato coloca Joaquina próxima de diversas mulheres que tiveram um papel importante na Inconfidência, como Bárbara Heliodora (Christiane Antuña), que foi mulher de Alvarenga Peixoto; e Marilia de Dirceu (Inês Peixoto), a noiva de Tomás Antônio Gonzaga.

Vinho de Rosas mostra a Inconfidência Mineira por um prisma feminino, dando voz a mulheres que foram praticamente esquecidas pela história. Para escrever o roteiro, a diretora – que é também produtora e dona de cinemas em Minas Gerais - passou quatro anos pesquisando e contou com a colaboração de dois historiadores. Já o que se vê na tela é um filme barroco, com uma fotografia rebuscada e música excessiva.

Nada disso colabora para Vinho de Rosas se tornar interessante. As interpretações são todas pesadas e as falas parecem declamadas, nunca, ditas com naturalidade. Os atores se mostram pouco à vontade no contexto do século XIX. O roteiro também acaba seguindo os caminhos mais previsíveis.

Tudo isso faz com que Vinho de Rosas se torne um filme anacrônico. Seus excessos estéticos e seu discurso feminista mal resolvido transformam o longa numa experiência pouco cinematográfica, cansativa e desnecessária, uma vez que não se distingue como obra de arte, nem ilumina algum canto obscuro da história ou da alma de seus personagens.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança