A Sereia do Mississippi

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Sinopse

Louis é dono de uma fábrica de cigarros, na ilha da Reunião, uma ex-colônia francesa na África. A partir de um anúncio matrimonial, ele passa a se corresponder com Julie, a quem propõe casamento. A moça embarca no navio Mississippi rumo à ilhota.


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Crítica Cineweb

04/02/2003

Em seu A Filha da Revolução, o jornalista e escritor John Reed (Dez Dias que Abalaram o Mundo) afirmou que as mulheres precisariam de mais uma geração para conceberem a necessidade de serem livres. Uma representante dessa nova estirpe feminina é Julie Russell, protagonista de A Sereia do Mississippi, de François Truffaut. Não tão brilhante como outros filmes do diretor francês, essa adaptação do romance Waltz into Darkness, de William Irish, tem na inversão de papéis sua principal virtude.

Julie (Catherine Deneuve) é uma mulher misteriosa que, não raro, desperta no espectador uma sensação dúbia: ora se acredita em suas juras eternas, ora se tem certeza de que tudo não passa de puro fingimento. Manipuladora e experiente na arte da sedução, controla toda a ação e utiliza comumente seu belo rosto para alcançar o que deseja. Ao contrário, seu companheiro Louis Mahé (Jean-Paul Belmondo) é crédulo, romântico e capaz de qualquer loucura pela amada. Cede aos caprichos da esposa como um pai que compra um sorvete ao filho só para ver estampado em seu rosto um sorriso satisfeito. Antes de Julie, amou uma única outra mulher, já morta.

Louis é dono de uma fábrica de cigarros, localizada na ilha da Reunião, uma ex-colônia francesa a leste do continente africano. A partir de um anúncio matrimonial, ele passa a se corresponder com Julie a quem, algum tempo depois, propõe casamento. A moça embarca no navio Mississipi rumo à ilhota e a um matrimônio seguro. Depois de alguns esclarecimentos cara a cara, o casal passa a dividir o mesmo teto e a conhecer-se.

Depois do sucesso de Beijos Proibidos (1968), Truffaut embarcou num projeto mais ambicioso, a mais cara produção realizada pelo cineasta. As negociações começam em 1966 mas foi só dois anos mais tarde que o diretor conseguiu comprar os direitos de adaptação do romance de Irish. Depois de assistir a algumas cenas de A Bela da Tarde, de Luis Buñuel, Truffaut almoçou com Catherine Deneuve e saiu conquistado pela moça. Depois do primeiro encontro, tanto atriz como diretor só aceitariam fazer A Sereia do Mississippi se trabalhassem juntos.

Como na quase totalidade de suas obras, Truffaut cultiva algumas referências pessoais. Em uma das cenas, homenageia o amigo e escritor Jacques Audiberti, morto em 1965, com uma cena na cidade natal do escritor, Antibes, e num hotel que rebatizou como Monorailé, uma das obras de Audiberti.

Perfeccionista, Truffaut filmou cada cena na ordem exata do roteiro para "respeitar a progressão dramática necessária à interpretação do casal de atores". Apesar do elenco sex-appeal que propiciou a exploração da sexualidade que é latente mas sempre presente, o filme foi um fracasso de público e crítica. A Sereia do Mississippi é um preâmbulo do que viria a se tornar o excelente O Homem que Amava as Mulheres, mas aqui o mesmo princípio dessa adoração é tratado com antagonismo: o amor é ao mesmo tempo alegria e sofrimento.

Cineweb-8/2/2002

Luara Oliveira


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