V de Vingança

Ficha técnica


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Sinopse

Num futuro obscuro e ditatorial, Evey (Natalie Portman) trabalha num canal de TV, quando numa noite é salva pelo misterioso V (Hugo Weaving). Ele tem um plano de acabar com a ditadura e devolver o poder à população. Ela pode ser uma peça-chave nesse processo.


Extras

- Amaray - Liberdade! Sempre!

- Making of de V de Vingança


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/04/2006

Chame de 1984 filtrado para as gerações pós-Matrix.Mas a verdade é que a adaptação da graphic novel homônima de Alan Moore (que não gostou do resultado e pediu para seu nome ser retirado dos créditos), V de Vingança é pão-e-circo da melhor qualidade, com muito para se digerir mentalmente e elementos para elevar o nível de adrenalina no sangue de qualquer um.

Situada num futuro distópico, a Inglaterra é governada por um ditador que mistura Big Brother (o do livro de George Orwell, não o da TV) e Lênin, chamado Adam Sutler (John Hurt). Os cidadãos vivem sob duras leis e uma séria censura. Todos estão sob vigilância de uma polícia especial e qualquer ensaio de insurreição é rapidamente abortado pelos membros do governo. Cartazes de propaganda política são vistos por toda a cidade e as pessoas vivem uma letargia política, sem ação.

Na noite de 4 de novembro, Evey (Natalie Portman) é salva de uma blitz da polícia por um misterioso defensor mascarado, que atende pelo nome de V (Hugo Weaving, que fica fantasiado o filme todo). Ele é uma espécie de terrorista que nessa noite explode a corte criminal de Londres, à meia-noite.

Na Inglaterra, o dia 5 de novembro é conhecido como o Dia de Guy Fawkes, um proto-terrorista que em 1605 foi encontrado num túnel sob o Parlamento Inglês com quase 20 bananas de dinamite. Preso, com outros sabotadores, foi enforcado e esquartejado, para que servisse de exemplo a quem conspirasse contra a coroa britânica. A máscara que V usa é exatamente igual ao rosto de Fawkes.

V segue em frente com seu plano de devolver o poder ao povo, invadindo o canal de TV onde Evey trabalha e colocando no ar uma mensagem incitando revolta. A idéia é concretizar o plano de Fawkes no próximo 5 de novembro – ou seja, ele tem exatamente um ano para planejar a ação.

O filme segue esse ano na vida de V e Evey, que ficam bem próximos. Essa relação entre o amor e a repulsa, além da máscara, remete à história de O Fantasma da Ópera, além das várias outras referências, como A Batalha de Argel (embora sem o radicalismo artístico e político do filme de Gillo Pontecorvo) e o documentário The Weather Underground, sobre um grupo de terroristas norte-americanos dos anos 70.

A parte central de V de Vingança se preocupa em contar a história de V e mostrar a educação de Evey, transformando-a numa espécie de Joana D’Arc do terrorismo – o que deixou Natalie Portman careca de verdade. A conscientização política da personagem, e, por conseqüência de todo uma nação, é o centro moral do filme, que levanta questões sérias sobre o terrorismo, que parece ser a única opção dos oprimidos.

Roteirizado pelos irmãos Andy e Larry Wachowski (a dupla responsável pela trilogia Matrix) e dirigido pelo estreante James McTeigue (assistente deles na direção da série), V de Vingança une elementos bem coreografados e instigantes de um filme de ação a momentos de densidade intelectual, sem cair na pseudo-filosia que destruiu os dois últimos Matrix. A referência à obra-prima de Orwell ganha outros contornos quando John Hurt, que fez o papel principal (homem normal que toma consciência política) na adaptação de 1984 (84), aqui faz o papel do ditador – uma ressonância assustadora.

Natalie Portman é, como sempre, uma atriz fora dos padrões. A melhor de sua geração, sem dúvida, ela parece entender os dilemas morais, intelectuais e emocionais de Evey e humanizá-la de forma comovente. E, mesmo completamente careca, continua linda. A estréia de V de Vingança estava programada para 5 de novembro do ano passado, mas foi adiada. A explicação oficial é de que o filme não havia ficado pronto. Porém, o mais provável é que os produtores acharam melhor não lançá-lo tão próximo dos ataques terroristas que aconteceram em Londres. E algumas cenas podem mesmo assustar aos londrinos.

Já para o restante do mundo, V de Vingança fornece diversão e levanta questões pertinentes. O filme pode não entrar para a lista de ficções científicas que mais importam, como Laranja Mecânica (embora a máscara de V tenha tudo para virar um ícone como o figurino de Alex), Fahrenheit 451 ou Metrópolis, mas ainda assim, tem tudo para incitar a tomada de uma certa consciência política nestes tempos de letargia ideológica.

Alysson Oliveira


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