O Plano Perfeito

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Sinopse

Um pequeno grupo de ladrões invade um banco e faz 50 reféns. Sua exigência: um avião para que o grupo saia do país. Chega o negociador, detetive Frazier (Denzel Washington), que começa a ver sinais de que nada é o que parece nesta situação.


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Crítica Cineweb

20/03/2006

Este novo filme de Spike Lee surpreende, de cara, pela assinatura. O que é que um dos diretores mais engajados da América está fazendo por trás de um filme sobre um assalto a banco? Parece que ele achou que tinha algo a contribuir para o gênero e contribuiu mesmo. Em suas mãos, o roteiro do estreante Russell Gewirtz ganha uma série de toques irônicos – étnicos e políticos - e um ritmo bem esperto.

É diversão, sim, e isto não é pecado – ainda mais que é tão raro que um filme voltado para o entretenimento não escorregue preguiçosamente pela imensa coleção de clichês que 111 anos de história do cinema permitiram acumular.

Verdade que a história aqui não escapa dos clichês, mas embaralha-os de maneira mais sofisticada. Tudo começa com o assalto a um banco, invadido por um pequeno grupo de homens, chefiados por Dalton Russell (Clive Owen). Sem disparar um tiro, eles fecham a agência, mantendo com eles cerca de 50 reféns, entre clientes e funcionários. A exigência: um avião para que a turma dê o fora dali.

Chama-se o habitual negociador, no caso o detetive Keith Frazier (Denzel Washington) e seu assistente, Bill Mitchell (Chiwetel Ejiofor). Eles estranham a calma dos seqüestradores, que vão dilatando seus prazos. Frazier fareja trapaça. Não será fácil identificar os bandidos, já que eles providenciaram uma roupa igualzinha para eles e os reféns, que fizeram vesti-la. Como sair do impasse e descobrir o que realmente está por trás de toda a operação é o segredo do filme, que não será revelado aqui.

Também é pista falsa achar que o assunto de O Plano Perfeito é o assalto. Há toda uma implicação sobre corrupção, sobre os verdadeiros donos do poder e do dinheiro do mundo, que quase sempre têm mãos bem sujas, e os intermediários que limpam sua barra, cobrando caro pelo serviço. Uma turma que será representada pelo banqueiro Arthur Case (Christopher Plummer) e a lobbista Madeline White (Jodie Foster) – no papel mais cínico de sua carreira.

Quem acha que Lee “vendeu sua alma”, ou está se tornando descerebrado, deve atentar para alguns recados, telegrafados nas entrelinhas. Como a situação do empregado sikh do banco; uma conversa sobre chavões étnicos entre um policial e Frazier; um cartaz sobre o 11 de Setembro onde se lê “Não Esqueceremos”; e as fotos da família Bush e de Margareth Thatcher no gabinete do banqueiro. O fato de que todos os heróis são negros e todos os vilões, brancos, também não deixa de ser uma ironia do diretor de Faça a Coisa Certa e Malcolm X.

Uma boa razão para Lee ter feito este filme está, quem sabe, na explicação do ladrão, que abre e fecha o filme: “Porque eu posso”. E que alguém negue sua competência, se puder.

Em tempo – a trilha de Terence Blanchard é um arraso.

Neusa Barbosa


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