O Lixo e a Fúria

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04/02/2003

"Eu sou um anticristo/Anarquia para o Reino Unido", bradava, aos quatro ventos, um barulhento grupo de garotos que, em aparições públicas, também cuspiam em jornalistas e gritavam obscenidades. Essas e outras histórias polêmicas sobre a banda de punk Sex Pistols estão em O Lixo e a Fúria, de Julien Temple, um documentário moderno, divertido e, acima de tudo, honesto.

Temple se redime de seu primeiro filme sobre a banda, The Great Rock´n´Roll Swindle (1980), e esquece a versão do empresário dos Pistols, Malcon McLAren, de que eles não passavam de um "bando de marionete, drogados e sem talento", que só chegaram ao sucesso por causa dele. Aqui, Temple deixa que os integrantes se definam: "Não éramos uma conspiração da classe média ou um movimento intelectual orquestrado por McLaren. Apenas estávamos sendo nós mesmo. As pessoas não gostam de encarar o fato de que éramos apenas um grupo de garotos querendo se divertir", afirmou o líder da banda Johnny Rotten (John Lydon).

Através de depoimentos dos integrantes do grupo, o filme aborda um lado mais humano dos Pistols e até, quem diria, uma certa aversão ao uso drogas pesadas, com exceção, é claro, do baixista Sid Vicious que morreu de overdose. No entanto, esses depoimentos são exibidos sob uma penumbra proposital, tática que, ao lado de imagens coletadas na época, monta um panorama da Inglaterra na metade da década de 70.

Através de cenas extraídas de Ricardo III, de Laurence Olivier, montadas de forma hilariante, O Lixo e a Fúria resgata o momento de inquietação política em que a Inglaterra estava mergulhada. Crise essa expressada por greves, desemprego, pobreza e inoperância do Partido Trabalhista, que culminou, em 1979, com a volta dos conservadores ao poder, sob a liderança de Margareth Thatcher, a Dama de Ferro.

Do acervo da BBC vem talvez uma das melhores cenas do filme: a entrevista concedida pela banda ao pretensioso Bill Grundy que, para provocá-los, pediu que dissessem alguma coisa ultrajante. Os Pistols o fizeram imediatamente e soltaram uma série de palavrões e ataques pessoais, o que provou, além do rompimento do contrato com gravadora EMI, uma dura reação da sociedade inglesa. No dia seguinte, a entrevista bombástica dos Sex Pistols era capa de todos os jornais e, no The Mirror, a manchete era "O Lixo e a Fúria".

Chocantes, agressivos, sarcásticos, anárquicos e irônicos, os Sex Pistols certamente não inventaram o punk -- já havia The Clash, Ramones, Siouxies e outros --, mas foram os responsáveis pela disseminação do movimento a milhares de jovens. Não os mesmos que, num show em São Francisco, em 1978, ouviram a pergunta indignada de Rotten, um dia antes de deixar a banda: "Você já teve a sensação de estar sendo enganado?", mas talvez seus filhos que, da mesma maneira, trajam roupas rasgadas e cabelos espetados, mas esquecem o caráter fundamentalmente contestador do movimento punk.

Luara Oliveira


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