Hitler 3o Mundo

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Crítica Cineweb

04/02/2003

"Seu filme é o mais radical e o mais extraordinário ensaio de quantos foram feitos no Brasil de um cinema alternativo. Engrossa o caldo experimental em primeiro plano. A narrativa não é linear, mas integrada por blocos". Assim define o autor Jairo Ferreira, em seu livro Cinema de Invenção, este filme que é considerado entre os mais originais já produzidos no Brasil.

Nada de se estranhar vindo de um autor como o paulistano José Agripino de Paula que, já na literatura, se mostrara capaz de uma trajetória tão particular como a identificada em seus livros Lugar Público (1965) e Panamérica (1967) e na dramaturgia, nas peças Tarzan 3o Mundo e O Mustang Hibernado (1968). Mas, além dessa procura de criatividade e invenção, o filme Hitler 3o Mundo reflete o clima de emergência em que foi realizado. Fugindo à repressão do auge da ditadura militar, a produção foi conduzida na clandestinidade, alinhavando cenas que nunca procuravam contemporizar as inquietações que corriam nas veias dos artistas naqueles dias. Vê-se, assim, um estranho samurai (Jô Soares) que tenta arranhar um aparelho de TV e, desesperado, termina por cometer um haraquiri. Uma outra seqüência mostra um barco que não sai do lugar, por mais que seus ocupantes remem, enquanto se vê um líder parecido com Cristo no comando da estranha operação. Imagens perturbadoras de um filme nunca lançado comercialmente.

Neusa Barbosa


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