Capote

Ficha técnica

  • Nome: Capote
  • Nome Original: Capote
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2005
  • Gênero: Drama
  • Duração: 98 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco: Philip Seymour Hoffman

País


Sinopse

Em novembro de 1959, dois homens assassinam quatro integrantes de uma família do Kansas, os Clutter. O escritor e jornalista Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) viaja de Nova York até o local, em busca de uma reportagem. Acaba decidindo que o assunto merece um livro, que se tornará o sucesso " A Sangue Frio". Mas este êxito cobra um preço alto na vida do autor.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/02/2006

Mais do que uma mera cinebiografia, o filme é um intenso making of de A Sangue Frio, livro que em 1965 trouxe a glória ao escritor Truman Capote (1924-1984). A história é também um verdadeiro striptease moral de seu protagonista (interpretado com toda a garra e substância por Philip Seymour Hoffman). É de se espantar que um retrato moldado com tanta crueza não resulte odioso – mas aí está justamente o desafio que atraiu Hoffman a co-produzir o projeto, dirigido pelo desconhecido Bennett Miller (que antes só realizou o premiado documentário The Cruise).

Capote dá ao ator uma raríssima chance de um solo prodigioso para um intérprete que Hollywood teima em marcar como coadjuvante, dentro do estereotipado sistema de castas dos grandes estúdios. Dentro dessa classificação estreita, se enxerga apenas que Philip Seymour Hoffman tem 39 anos, é miúdo, gordinho e não é galã. Entretanto, o que interessa é que se trata de um ator de primeiro quilate (como já se viu em Magnólia), que se transfigura, até na voz, para dar conta do personagem ambíguo e fascinante que é Capote.

Truman já era um escritor respeitado em 1959, ano em que ocorre o sangrento assassinato de quatro membros da família Clutter – pai, mãe e um casal de filhos adolescentes -, na pacata cidadezinha de Holcomb, uma comunidade de 270 pessoas encravada no Kansas. O escritor e jornalista convence o editor da revista New Yorker (Bob Balaban) a mandá-lo para o local, farejando assunto para uma grande reportagem. Acompanhado da amiga de infância Lee Harper (Catherine Keener), encontra material para um livro. O livro de sua vida.

O mergulho do forasteiro de Nova York nessa comunidade rural, fechada e conservadora é a maior prova do irresistível carisma de Truman. Revertendo toda a má vontade por conta de seu notório homossexualismo, sua fala afetada e seus modos de dândi, ele penetra em todos os círculos e absorve informações vitais para a grande obra que se prepara para escrever. Uma memória prodigiosa, capaz de reter 95% de tudo o que escuta será sua principal ferramenta para reconstituir todos os detalhes do drama dos Clutter e seus assassinos, Dick Hickcock (Mark Pellegrino) e Perry Smith (Clifton Collins Jr.).

A aproximação de Capote com Smith é, afinal, a chave para que se chegue à verdade final dos fatos. E também o divisor de águas no envolvimento do escritor na própria história que escreve. Capote aproxima-se perigosamente de Smith, com quem se sente dolorosa e contraditoriamente identificado, devido a uma turbulenta história familiar na infância de ambos. A frase-chave deste envolvimento: “É como se tivéssemos crescido na mesma casa. Mas ele saiu pela porta do fundo, eu saí pela porta da frente”, diz o escritor a certa altura.

O filme cresce por sua consistência ao expor a ambiguidade moral de Capote, capaz de usar sua inegável ascendência sobre Smith para revelar-lhe os detalhes da noite fatídica dos assassinatos. A vaidade profissional do escritor, sua ambição de fazer a qualquer custo o “grande romance de não-ficção” que sonhava, seu egocentrismo, seu gosto pela vida mundana e a celebridade, tudo isso entra na composição do personagem na medida justa. O escritor luta com sua alma e a perde – mas faz o livro. Um drama que resulta num filme poderoso, que revela um novo diretor.

Capote foi indicado a cinco Oscar: melhor filme, diretor (Bennett Miller), ator (Hoffman), atriz coadjuvante (Catherine Keener) e roteiro adaptado.

Neusa Barbosa


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