Ponto Final - Match Point

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 4 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Chris Wilton é um ex-tenista que se tornou professor do esporte para ricos. Através de um de seus alunos, penetra o alto círculo da sociedade londrina e casa-se com sua irmã. Sua vida frívola e confortável corre risco quando ele se apaixona pela ex-noiva do cunhado. Mas ele não está disposto a perder tudo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/02/2006

A mudança de ares fez muito bem a Woody Allen. Neste primeiro trabalho de sua carreira inteiramente filmado na Inglaterra, ele reencontra uma gravidade de temas que parecia perdida em sua obra e renova sua ironia, pérfida como em seus melhores dias.

Uma rede de tênis e uma bola em jogo na primeira seqüência remetem ao inesquecível Blow Up, de Michelangelo Antonioni. O esporte anuncia o grande assunto da história - o poder do acaso na vida humana. De um lado, coloca-se a disputa pelo sucesso de um insaciável e envolvente alpinista social, Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers), professor de tênis que se insinua numa família rica. Personagem que é um descendente direto do Tom Ripley da escritora Patricia Highsmith por seu autocontrole, ele vai correr perigo no terreno das inevitáveis paixões - cuja oscilação bravia é assinalada em todo o filme por uma cuidadosa inserção de seletos trechos de ópera - também um gênero musical não tão freqüentado em anteriores trilhas do diretor americano -, tais como Una Furtiva Lagrima (Donizetti), Un dì Felice, Eterea e Desdemona (ambos de obras de Verdi) até uma ária do brasileiro Carlos Gomes, Mia Piccirella, da ópera Salvator Rosa, interpretada por Enrico Caruso.

A literatura russa, velha conhecida de Woody, volta a assinalar outro tema que lhe foi sempre caro - a culpa. Chris Wilton lê Crime e Castigo, de Dostoiévski, decifrando a complexidade da obra com um manual explicativo da Cambridge. Dois detalhes importantes: Woody está de volta à seara de seu magistral Crimes e Pecados, desta vez sem referência à religião, e seu protagonista é mais ligado à aparência do que à essência. Sabe que para penetrar no restrito círculo dos ricos precisa ostentar um verniz de cultura, não dominá-la a fundo.

O truque, em todo caso, funciona. Chris torna-se amigo de um rico herdeiro. Tom Hewett (Matthew Goode), e, por seu intermédio, namora sua irmã, Chloe (Emily Mortimer). A armadilha do destino atende pelo nome de Nola Rice (Scarlett Johansson), noiva do amigo Tom e um pedaço de tentação instalado no reprimido solar dos Hewett.

Outra novidade é que se trata do filme do diretor com as cenas de sexo mais picantes de toda a sua carreira - todas protagonizadas por Scarlett, uma estrela com todo direito a este nome, que se consolida como atriz versátil e ascendente. Claro que nenhuma dessas cenas tem o menor sinal de mau-gosto. Apenas se vê uma ousadia a que Woody não se havia permitido antes e que, sem dúvida, funciona no sentido de revelar a história. Nada é gratuito no mundo do diretor.

Mesmo alguns fãs de Allen poderão estranhar. Afinal, Ponto Final – Match Point é seu filme mais sombrio em um bom período, no qual o cineasta dedicou-se a comédias mais ligeiras, como Trapaceiros e Dirigindo no Escuro. Quem for preparado para rir, poderá levar um bom susto. Aqui se constrói um universo dramático com uma contundência talvez jamais atingida antes pelo realizador novaiorquino.

O filme foi indicado a apenas um Oscar, de roteiro original. Merecia muitos mais, mas há muitos anos que Woody Allen não liga mesmo para isso.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança