Orgulho e Preconceito

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Sinopse

A chegada de um novo vizinho ricaço reacende a esperança na Sra Bennet (Brenda Blethyn) de encontrar um marido para uma de suas cinco filhas. E a mais velha logo se apaixona pelo rapaz. Porém, a segunda filha, Lizzie (Keira Knightley), ganha um inimigo na figura do esnobe Sr Darcy (Matthew Macfayden). Eles irão brigar muito até descobrirem que foram feitos um para o outro.


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Crítica Cineweb

06/02/2006

“É uma verdade mundialmente conhecida que um homem solteiro que tem uma grande fortuna necessita encontrar uma esposa” diz o primeiro parágrafo de uma das obras mais famosas da literatura, Orgulho e Preconceito, escrito pela inglesa Jane Austen, e publicado em 1813. A obra se tornou a mais popular da autora – embora não seja considerada sua melhor. Essa paixão que as pessoas têm por esse livro muito se deve à heroína, a teimosa e adorável Elizabeth Bennet, vivida nesta adaptação com empenho por Keira Knightley, que acabou sendo indicada ao Oscar de melhor atriz por esse trabalho.

A primeira diferença que os fãs do livro irão notar na transposição para a tela é que Elizabeth, ou Lizzie, como é mais conhecida, aqui tem muito mais iniciativa do que no papel, transformando-a numa personagem muito mais ativa do que era originalmente. Segunda filha, das cinco, do Sr e Sra Bennet (Donald Sutherland e Brenda Blethyn), a garota não mede suas palavras e nem suas opiniões e por isso muitas vezes tira conclusões precipitadas. Seu maior erro de julgamento acontece no início da história, quando conhece Fitzwilliam Darcy (Matthew Macfadyen, que lembra Clive Owen), um solteirão rico e, aparentemente, esnobe que se recusa a dançar no baile.

Levada pelo seu preconceito e suas idéias precipitadas, Elizabeth passa a odiá-lo imediatamente, não percebendo, assim, que os dois formariam um par perfeito. Sr Darcy, por sua vez, também não gosta do jeito livre de Elizabeth. O maior problema da vida de Elizabeth, na opinião de Darcy, é sua família pouco refinada, que inclui as irmãs em busca de um casamento lucrativo, um pai omisso, e o pior, uma mãe desesperadamente casamenteira que vê no Sr Bingley (Simon Woods), o novo vizinho e melhor amigo de Darcy, a "vítima" perfeita para se casar com Jane (Rosamund Pike), a filha mais velha.

O livro de Jane Austen era para se chamar “Primeiras Impressões”, pois seu objetivo, com essa história, é mostrar que as pessoas estão sujeitas a terem uma primeira visão errada dos outros, e que, com o tempo, se pode mudar essa opinião e transformá-la até em amor. Não é nenhum segredo que Lizzie e Darcy vão ficar juntos no final. O que o filme e o livro fazem é mostrar como o casal irá driblar uma teia de impressões equivocadas e admitir e reparar seus erros de julgamento – o que não é nada fácil tendo em vista que dupla é bem teimosa.

Orgulho e Preconceito é uma comédia de comportamento com um subtexto de sátira social e retrato histórico. Diferente das grandes produções de época de Ismael Merchant e Janes Ivory, como Retorno a Howards End e Uma Janela Para o Amor, o longa de Joe Wright deixa de lado o requinte exacerbado dos filmes de época, optando por uma estética mais naturalista. A casa dos Bennets é bagunçada, suas roupas são puídas e não muito limpas – afinal, eles não são uma família rica. O longa usa o visual para fazer comentários sociais bem sutis.

Porém, uma das maiores surpresas desta adaptação é o diretor estreante em cinema Wright. Britânico especializado em telesséries históricas, ele mostra um sofisticado trabalho de câmera, que, seguindo as outras convenções naturalistas do filme, é como se não estivesse lá. A imagem passeia por bailes com leveza e precisão, caminha por entre paisagens naturais como se não existisse. O roteiro, escrito pela novelista inglesa Deborah Moggach, condensa algumas situações e personagens, como a fuga de uma das jovens Bennet e a figura do primo Collins, em prol da duração do filme, pouco mais de imperceptíveis 120 minutos.

O mais importante do livro de Jane Austen certamente está captado, como a sátira social e os horrores de uma sociedade darwinista em que a única chance de mobilidade é um bom casamento. E ainda há todo um subtexto feminista na figura de Lizzie, que diz não querer casar, mas muda de idéia quando encontra um amor de verdade e se casa não por questões sociais.

Orgulho e Preconceito chegou um pouco tarde na febre de adaptações de Jane Austen que aconteceu nos anos 90, com o ótimo e pouco visto Persuasão; o premiado Razão e Sensibilidade, de Ang Lee; Emma, que fez a fama de Gwyneth Paltrow; e o pouco visto Palácio das Ilusões. É curioso notar, que, embora em diferentes graus, todas essas adaptações são muito boas – exceto pela versão indiana dessa história, chamada de Noiva e Preconceito, exibida no país apenas em festivais. Muita gente acredita que se Jane Austen fosse uma contemporânea, assim com Shakespeare, estaria escrevendo para o cinema. E certamente essa versão de seu livro mais famoso também a deixaria muito orgulhosa.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 22/06/2010 - 17h43 - Por eika Achei este texto muito bem escrito e ilustrativo. A crítica foi honesta e bem aplicada , e , ao mesmo tempo , nos dá uma visão panorâmica da obra .
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