O Segredo de Brokeback Mountain

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Sinopse

No Wyoming, em 1963, dois vaqueiros, Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal) trabalham no pastoreio de ovelhas, isolados na montanha Brokeback. Depois de meses de convívio, surge algo mais entre os dois.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

30/01/2006

Depois do equívoco de Hulk, o diretor Ang Lee volta ao melhor de sua forma com esta intensa e delicada história de amor entre dois homens, os caubóis Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal). Fiel à sua origem, o conto da escritora Annie Prouxl publicado pela revista New Yorker em 1997, não se trata de uma história gay típica. O termo “gay”, aliás, nem tem ainda esse sentido quando a história acontece, em 1963.

É a véspera da guerra do Vietnã (1964-1975) mas nas solitárias montanhas do Wyoming vive-se como sempre, na vastidão e na aspereza da vida ao ar livre. Ennis e Jack são dois vaqueiros à procura de trabalho, a serviço de um capataz rude (Randy Quaid), despachados para cuidar de um grande rebanho de ovelhas na montanha Brokeback, por todo o inverno. A paisagem infinita e bela, com florestas de pinheiros, rios de e águas gélidas e repletos de corredeiras, além de ocasionais alces e ursos, com certeza é um personagem ativo da trama. É na sua solidão que os dois caubóis compartilham a escassez emocional de uma existência simples. Os momentos perto do fogo, dividindo as muitas latas de feijão e garrafas de uísque de sua dieta básica, são a melhor parte de cada jornada. As outras longas horas são passadas em separado, Ennis vigilante no alto da montanha, Jack na planície, dormindo ao relento com as ovelhas.

Uma noite fria, uma bebedeira, e a ordem instalada se altera. Ennis divide a cabana de lona com Jack e a faísca sexual se acende. É quanto basta para que um relacionamento intenso e conflituoso se forme entre os dois jovens, que a todo momento insistem em declarar que não são homossexuais. “Apenas aconteceu e não é da conta de ninguém”, diz Jack e Ennis aceita. Não é fácil aliviar o preconceito.

Ao fim do inverno, os dois partem de volta à sua rotina. Ennis casa-se com a namorada, Alma (Michelle Williams), e têm duas filhas. Jack une-se à herdeira texana Lureen (Anne Hathaway) e têm um filho. As vidas em separado duram quatro anos. Um dia, Jack manda um postal a Ennis e anuncia sua visita. Na chegada, toda a paixão represada vem à tona, sob o olhar confuso de Alma.

Tanto como usara a paisagem na primeira metade do filme, o diretor Ang Lee deixa correr os silêncios entre os dois homens, que dividem um sentimento tão amplo quanto difícil, no contexto de uma Wyoming rural e conservadora, nos anos 60. A história se constrói em cima dessa escolha de um tom intimista, na elaboração dos detalhes – um abraço, uma camisa – e assim aperfeiçoa o que o conto original já tinha de melhor.

No Oscar 2006, o filme foi o campeão de indicações, com oito: filme, diretor, ator (Heath Ledger), ator coadjuvante (Jake Gyllenhaal), atriz coadjuvante (Michelle Williams), roteiro adaptado, fotografia e trilha sonora. Era o grande favorito do ano, mas levou só três: melhor diretor, trilha e roteiro adaptado. Antes disso, acumulara cerca de 40 prêmios, entre Leão de Ouro em Veneza/2005, Globo de Ouro, sindicatos de profissionais do cinema e associações de críticos.

Neusa Barbosa


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