Munique

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Sinopse

Logo após o atentado nas Olimpíadas de Munique, em 1972, que terminou com a morte de 11 atletas israelenses, a primeira-ministra de Israel, Golda Meir, convoca uma missão secreta para liqüidar os responsáveis. Cinco agentes israelenses, liderados por Avner (Eric Bana), deslocam-se pela Europa, caçando os terroristas.


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Crítica Cineweb

23/01/2006

Para alguém como Steven Spielberg, atingir uma marca que nunca alcançou antes é cada vez mais difícil. Afinal, o que falta ainda na carreira deste cineasta que já deu vazão a todas as suas fantasias, de extra-terrestres a dinossauros, ganhou Oscar (por A Lista de Schindler) e bateu diversos recordes de bilheteria (o mais recente, em Guerra dos Mundos) ? Sendo assim, fica mais sintomática sua escolha de filmar uma história nem tão espetacular, mas com alto potencial de polêmica – ainda mais sendo Spielberg um judeu.

Spielberg nem mesmo parte de material inédito – sinal de que considerou seu tema ainda não esgotado. O enredo parte do livro A Hora da Vingança, de George Jonas, que já fora adaptado uma vez, em 1986, numa produção do canal a cabo HBO (Sword of Gideon, de Michael Anderson). Convocou dois roteiristas de peso, Eric Roth (de Forrest Gump) e Tony Kushner (da minissérie Angels in America) e construiu a sólida base do filme. O pano de fundo é o conhecido atentado contra a delegação israelense nas Olimpíadas de Munique, em 1972, assunto do documentário Um Dia em Setembro, de Kevin MacDonald, vencedor do Oscar da categoria em 2000. Mas Spielberg não quer recontar o atentado, que culminou com a morte de 11 atletas israelenses. Ele é o ponto de partida do plano de vingança, ordenado pela primeira-ministra Golda Meir (Lynn Cohen) e que Spielberg ligará com acontecimentos dos dias atuais.

A moralidade está no centro da discussão. E é ela, finalmente, que divide as convicções dos agentes secretos encarregados de liqüidar, um a um, todos os terroristas palestinos envolvidos no atentado: Avner (Eric Bana), Steve (Daniel Craig), Hans (Hanns Zischler), Carl (Ciaran Hinds) e Robert (Matthieu Kassovitz). A ação explora habilmente o caráter secreto de sua missão, a habilidade de cada um (um é especialista em bombas, outro em falsificar documentos, outro em limpar a cena depois de cada morte), criando um clima de suspense que provoca vivo interesse. Há um momento eletrizante, quando se coloca uma bomba no telefone de um dos alvos e sua filha, uma menina, entra em casa repentinamente. Spielberg explora a tensão deste momento com a habilidade de um Hitchcock, deixando o coração do espectador no fio da navalha.

O prolongamento da missão assassina, a passagem dos anos, a distância da família cobrarão o seu preço aos cinco agentes, especialmente a Avner, seu coordenador. Ele deixou para trás mulher e filha, que mal chegou a conhecer (ainda assim, numa viagem sem conhecimento de seus superiores). Justamente aí, quando a crença sólida dos vingadores começa a rachar, ainda mais quando entre eles também ocorre uma baixa, é que se alcança realmente o tema que o filme pretende explorar: afinal, o olho por olho, dente por dente, atemoriza ou acirra os ânimos dos inimigos? Lançando pistas de que pretende ligar esta discussão ao atentado às Torres Gêmeas, em Nova York, em 11 de Setembro de 2001, Spielberg deixa claro de que lado está sua convicção. E este é o ponto de conflito com conservadores judeus de todo o mundo, alguns considerando Spielberg como traidor da causa judaica, o que é absurdo.

Aí também está a prova de que o consagrado diretor coloca seu indiscutível virtuosismo a serviço de um tema, com uma profundidade e sentimentalismo controlado que nunca atingiu antes, com um intuito que não pode ser outro do que inscrever seu nome na história do cinema de uma outra maneira. Algo como entrar na seleta lista dos grandes diretores capazes de lidar com algumas das maiores questões morais do nosso tempo. Seja qual for sua ambição, é fato de que realizou aqui o melhor filme de toda a sua carreira, ainda que prêmios e bilheteria não venham a alcançá-lo.

Neusa Barbosa


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