A Máquina do Tempo

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Crítica Cineweb

04/02/2003

A Máquina do Tempo é dinheiro, e dinheiro Hollywood tem de sobra. Efeitos especiais assinados pelo estúdio Dreamworks, de Steven Spielberg, reconstituição de época e elenco de primeira são alguns dos quesitos que devem ter consumido a maior parte dos US$ 80 milhões investidos nessa produção. Quanto ao roteiro, não deve ter roubado o sono de seu autor.

Fica difícil resumir a história do filme de Simon Wells, pois é necessário condensar cerca de 800 mil anos em poucas palavras. Não que o filme englobe todas as transformações geológicas e ecológicas do planeta nesse longo período, mas as duas partes que o compõem são absurdamente distintas e interligadas apenas pelo cientista Alexander Hartdgen (Guy Pearce).

Mas vamos lá. Em Nova York, no ano de 1889, Hartdgen não se conforma com a morte da bela mulher (Sienna Guillory) que, em breve, iria desposar, e trabalha arduamente para construir uma máquina capaz de voltar no tempo. Incontáveis cálculos matemáticos mais tarde, uma construção vitoriana está pronta para conduzi-lo ao passado. Mas o destino persegue nosso intelectual, que constata a imutabilidade do passado e decide procurar a explicação no futuro.

Inacreditáveis imprevistos projetam o cientista para o ano de 802701. A Terra está dividida entre o povo eloi, que habita a superfície, e os merlocks, que vivem no subsolo e, por sua vez, repartem-se entre controladores de mente e caçadores. Os anfitriões de Hartdgen são os elois Mara (interpretada pela cantora irlandesa Samantha Mumba) e Kalen (vivido pelo irmão caçula de Samantha, Omero Mumba). É a eles que o inventor da máquina se junta para livrar o povo eloi da dominação merlock.

É espantoso como o franzino cientista ganha força de verdadeiro marombeiro para participar de lutas com os seres monstruosos que habitam o subsolo.

A maquiagem de Jeremy Irons também é inacreditável. Deram ao vencedor do Oscar a cabeleira branca dos elfos de O Senhor dos Anéis, lentes igualmente claras e uma asquerosa coluna dorsal que não fica devendo nada aos clones rejeitados da tenente Ripley (Sigourney Weaver) em Alien 4 - A Ressurreição, ou mesmo às fusões tecno-orgânicas de David Cronenberg.

Da mesma maneira, o australiano Guy Pearce já defendeu papéis infinitamente melhores. Aqui, ele atesta a maré de azar com as mulheres que ronda seus últimos personagens. Em Amnésia, viu a mulher ser assassinada. Em A Máquina do Tempo, sua pobre noiva não se contenta em seguir rumo ao além uma única vez e dá bis, para desespero do amante. Pearce devia mesmo era repetir a drag queen Felicia, personagem de Priscilla, A Rainha do Deserto, que viveu feliz para sempre.

Vagamente inspirado no livro homônimo do bisavô do diretor, H.G. Wells, a fita deixa obscuro o motivo de muitos dos acontecimentos. O espectador, no entanto, descobre o lado bom dessa omissão quando o filme resolve desvendar fatos como o desmoronamento da Lua: terráqueos enxeridos dão fim à gravidade do satélite quando constroem um centro de entretenimento em seu subsolo.

Mesmo sem invenções tão memoráveis quanto o skate voador de De Volta para o Futuro, A Máquina do Tempo mesmo assim cria seu efeito mais interessante na figura de Vox (Orlando Jones), um holograma computadorizado apto a responder a qualquer pergunta - menos como dar jeito num roteiro tão absurdo.

Cineweb-19/4/2002

Luara Oliveira


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