Tudo em Família

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Sinopse

Meredith (Sarah Jessica Parker) é uma empresária de Nova York que viaja para conhecer a família de seu namorado no Natal. Porém, os Stones são bem peculiares e têm a capacidade de transformar a vida de qualquer um em verdadeiro inferno. Desta vez não será diferente, colocando em cheque a relação dos namorados.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/01/2006

Raramente o penteado que um personagem usa diz tanto sobre a sua personalidade, como o que acontece com a protagonista da comédia dramática Tudo em Família, Meredith. Mas como a personagem é feita por Sarah Jessica Parker, certamente a escolha não foi por acaso. Durante a maior parte do filme, ela está com os cabelos presos, num coque no qual não há um fio fora do lugar, assim como sua atitude reprimida e controladora.

Indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical, Sarah faz aqui um daqueles papéis que redefinem a carreira de uma pessoa. Internacionalmente conhecida como a descolada jornalista Carrie Bradshaw, protagonista da série Sex and the City, aqui a atriz assume uma personagem que é o oposto daquilo que ela sempre fez. Meredith, afinal, não consegue nem sequer dormir no mesmo quarto do namorado na casa da família dele.

Tudo em Família tem um roteiro que não traz absolutamente nada de novo. Pelo contrário, calca-se em clichês surrados até a medula, como a mãe doente que esconde para poupar a família, o filho gay casado com um afro-descendente e muito bem aceito por todos, o filho sem rumo que volta ao lar etc. Mas a virtude do filme, escrito e dirigido por Thomas Bezucha, é que nunca pretende ser mais do que realmente é: uma comédia natalina sobre reunião familiar. E se o resultado não é um A Felicidade Não se Compra, também não há tanto do que reclamar. Em meio a toda manipulação que há aqui (porque colocar matriarca morrendo de câncer sempre é manipulativo), emergem alguns momentos genuinamente humanos, muito ajudados pelas interpretações bem medidas, principalmente de Sarah, Diane Keaton e a cada vez melhor Rachel McAdams (Vôo Noturno).

Diane é a matriarca em questão que tem por esporte favorito, junto com boa parte de sua família Stone, fazer o inferno da vida daqueles que não são Stones, principalmente de Meredith. Do embate inicial entre todos custa a surgir alguma reciprocidade e aceitação, se é que ela virá. A atitude esnobe de Meredith vai totalmente contra a posição de falso liberalismo da família, que também esnoba aqueles que não pensam como eles. O resultado é, ao menos, uma cena dolorosamente verdadeira, durante o jantar de Natal, tendo como pontapé central a ‘aceitação’ do filho gay, que também é surdo.

A personagem de Diane, Sybil, teria muito a conversar com a de Susan Sarandon em Lado a Lado, não apenas porque as duas estão com câncer, mas porque têm métodos bem eficientes e sutis de infernizar a vida de seus desafetos. A atriz coloca uma espécie de humor cortante em seu personagem, que a faz parecer boa demais para ser verdade. Já Rachel McAdams prova a cada filme que o seu talento é genuíno. Aqui ela faz uma irmã má, sarcasticamente insuportável, num registro bem diferente de sua personagem em Meninas Malvadas. Claire Danes é Julie, irmã de Meredith que viaja até a casa dos Stones para tentar salvar o Natal, mas acaba piorando a situação quando ganha a simpatia deles logo de cara.

Os homens, por sua vez, são personagens mais vagos, menos maus, e, conseqüentemente, menos interessantes. Dermot Mulroney é o namorado de Meredith, e Sybil (e qualquer um com bom senso) tem certeza de que esta não é a mulher certa para ele. Luke Wilson, no papel do filho pródigo, parece ter pego algumas dicas com seu irmão Owen (Penetras Bons de Bico) para o papel de um sedutor barato desleixado.

Como dizia Tolstói, todas as famílias felizes são parecidas, as infelizes são infelizes cada uma da sua forma. Isso porque ele não havia conhecido os Stones, que são felizes de uma forma bem peculiar, e, ao mesmo tempo infelizes, como muita família por aí.

Alysson Oliveira


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