Se Eu Fosse Você

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Sinopse

Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) estão casados há tempo suficiente para a relação ter caído no marasmo e ser ameaçada por pequenas brigas. Porém, por conta do destino, suas consciências e personalidades acabam trocando de corpos. Agora, além de descobrir uma forma de destrocar, terão de aprender a conviver com o corpo do outro.


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Crítica Cineweb

02/01/2006

É quase irresistível começar um texto sobre a comédia brasileira Se Eu Fosse Você, que estréia em todo país nessa sexta, citando a frase célebre de Chacrinha: “Nada de cria, tudo se copia”. Pode parecer falta de originalidade. Mas porque alguém deveria pensar em ser original ao falar deste longa, se os produtores, diretor e roteiristas não se deram ao trabalho de procurar algo novo para fazer o filme?

Se Eu Fosse Você tem por premissa uma fórmula que foi usada à exaustão pelo cinema nos últimos anos – com alguns resultados até bons, o que não é bem o caso aqui. O roteiro, escrito por quatro profissionais, entre eles o diretor Daniel Filho, conta a história de um casal que troca de corpo, durante uma crise conjugal. Ao longo da experiência, eles irão aprender o quão difícil é ser o outro, o quanto era amado e não sabia e outras valiosas lições que as pessoas só aprendem quando estão em outro corpo que não o seu.

Cláudio (Tony Ramos) é um publicitário casado com Helena (Glória Pires), uma espécie de dondoca que dá aulas de música para um coral infantil. Como estão juntos há muito tempo levando uma vidinha de classe média carioca de novela, a relação caiu num marasmo existencial. Os dois se dão bem, mas já não existe mais aquela chama da paixão. Por um acidente da física, o casal acaba trocando de corpos.

A personalidade e a consciência de Cláudio vão parar em Helena, e vice-versa. Ao menos surge uma estranheza inicial, antes que o casal parta para as grandes lições sobre o como-é-difícil-ser-o-outro-e-eu-não-sabia. Eles tentam algumas artimanhas para destrocar, mas não conseguem, e serão obrigados a tocar a vida do outro como se fosse sua, enquanto não encontram uma solução.

A maior dificuldade vem de ter que viver no corpo do sexo oposto, e aparecem problemas como andar de salto alto, ou usar o banheiro masculino. Tony Ramos é quem consegue tirar maior proveito de seu personagem, mostrando uma veia cômica afiada – pouco usada na TV. Sua afetação contida é o que gera os poucos momentos genuinamente engraçados do filme. Glória Pires, por sua vez, mostra menos carisma e parece estar gravando apenas mais um capítulo de uma novela qualquer.

O elenco de coadjuvantes também não se esforça muito, até porque, seus personagens são muito mal desenvolvidos, mais parecidos com um bando de estereótipos ambulantes do que seres humanos. Gloria Menezes faz a sogra que inferniza a vida do genro; Thiago Larceda é o mauricinho mimando, enquanto Lavínia Vlasak é sua mulher dondoca e burra. Ou seja, nada diferente do que fazem em novelas.

Se Eu Fosse Você custou cerca de R$5milhões, e seria dirigido por Jorge Fernando (Sexo, Amor e Traição), que acaba fazendo uma ponta como um ufólogo. Ele teve que abandonar o projeto por conta de um contrato. O roteiro foi parar nas mãos de Daniel Filho, que aceitou o convite e fez algumas modificações, além escalar o casal central.

A idéia central de Se Eu Fosse Você é a mesma de filmes como Uma Sexta-Feira Muito Louca, Quero Ser Grande e Tal Pai, Tal Filho, além outra dezena. Até mesmo Didi, em seu penúltimo filme, Didi Quer Ser Criança, usou a mesma desculpa, com resultado um pouco superior.

Se houvesse uma árvore da Natal e um Papai Noel em cena, Se Eu Fosse Você poderia muito bem ser um especial de fim de ano da Rede Globo, pois o seu formato cabe perfeitamente na tela da TV.

Alysson Oliveira


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