A Passagem

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Sam Foster é um psicanalista lutando para impedir que um paciente depressivo cometa suicídio. Enquanto tenta reverter a situação, o jovem doente faz profecias que vão se cumprindo e deixando o médico cada vez mais assustado.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

20/12/2005

Apesar de poucos filmes no currículo, o diretor alemão radicado na América, Marc Forster, já demonstrou extrema competência, como atestam os seus sucessos A Última Ceia e Em Busca da Terra do Nunca. Dono de perspicácia rara em Hollywood, ele conseguiu conquistar uma legião de fãs por ser capaz de trabalhar com diferentes temáticas sem perder qualidade. Explorou as relações humanas com um realismo impressionante em Louisiana (EUA) e, mais tarde, constatou as mesquinharias de uma realidade vitoriana no ambiente lúdico que criou Peter Pan.

No entanto, sua nova produção pode ser menos popular e dividir mais opiniões do que as anteriores. Desde já, A Passagem não é um filme que deva ser resumido em poucas linhas. Até porque, sua grande qualidade é – como outros filmes do gênero – ser uma surpresa para o espectador. Na dúvida entre a paranóia dos personagens e o real, anda-se sobre uma linha tênue que maiores explicações da crítica podem partir.

O que se pode dizer é que o filme mostra a inquietante relação entre Henry Letham (Ryan Gosling) e Sam Foster (Ewan MacGregor). Henry é um jovem artista plástico deprimido, paciente da psiquiatra Beth Levy (Jeanane Garofalo), também deprimida. Quando Foster substitui Beth, descobre que Henry planeja se matar no dia de seu aniversário, deixando pouco menos de uma semana para tratá-lo. Enquanto isso, Foster ainda terá de conviver com a conflituosa namorada Beth, sua ex-paciente e outra personagem com tendências suicidas.

Nesse contexto caótico para o psiquiatra, os cenários começam a se tornar cada vez mais arbitrários e confusos, com a gradual aproximação de Foster e Henry. Curiosos fenômenos começam a ocorrer, fazendo o médico duvidar de sua de sua própria identidade e mesmo sobre o que é real. O mesmo ocorre aos espectadores, sem saber como essa confusão de seqüências irá terminar.

De fato, o roteiro de A Passagem é decididamente obtuso e tergiversado, da mesma forma que satura a produção de adornos e truques estilísticos com pistas sobre o que realmente está acontecendo. Um estilo visual bem atrativo e interessante, por assim dizer, mas inútil. Ao que parece, o diretor esteve tão interessado nas artimanhas de câmera e edição que não percebeu que os empregou indiscriminadamente (o que, para os cinéfilos, se conhece como “Síndrome de Tony Scott”).

Por esses motivos, não se pode dizer que o mistério da trama seja lá muito nebuloso. Mesmo assim, chega-se a uma resolução satisfatória e até um pouco emotiva. No entanto, o que realmente convence nesta nova produção é, sem dúvida, a força das atuações (uma marca dos filmes de Forster) e a honestidades das emoções que evocam. Falar bem de Naomi Watts tornou-se enfadonho de tão comum, tal como mencionar a versatilidade de Ewan McGregor.

Quem se destaca também nesse filme é o jovem Ryan Gosling. Ele pode ser lembrado em séries juvenis americanas, ou em filmes de comédia romântica, trabalhando como coadjuvante. Mas quem prestar atenção em seu trabalho, pode ver em seu currículo o personagem principal de Tolerância Zero, um poderoso drama sobre um skinhead anti-semita que curiosamente é judeu.

A Passagem é, no fim, intenso apesar do limbo narrativo, que exige a máxima concentração de quem vê. As poucas ferramentas dramáticas dão lugar a, como foi dito anteriormente, um elenco exemplar. O fato cria uma situação invariável na saída dos cinemas, com espectadores pensando “que filme maluco”. Mesmo assim, não se intimide.

Rodrigo Zavala


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