King Kong

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Sinopse

Nos anos 30, uma trupe de filmagem, liderada pelo cineasta Carl Denham (Jack Black), enfia-se num barco, rumo a uma ilha desconhecida. A bordo vai uma jovem atriz, Ann Darrow (Naomi Watts), um roteirista, Jack Driscoll (Adrien Brody) e um galã canastrão (Kyle Chandler). Na ilha, todos eles e mais a tripulação do navio terão a aventura de suas vidas ao encontrar um gigantesco gorila de 7 metros de altura, King Kong.


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Crítica Cineweb

12/12/2005

Desde o sucesso espetacular e planetário da trilogia O Senhor dos Anéis, ninguém mais duvida nem da capacidade nem da megalomania – ainda que no bom sentido – de Peter Jackson. O diretor neozelandês emergiu de um passado no filme trash - Fome Animal (1992) - para tornar-se um dos maiores expoentes do filme de aventura do mundo. Não é pouca coisa num cenário em que Steven Spielberg e George Lucas ainda estão na ativa.

Em King Kong, ele repete a façanha de O Senhor dos Anéis, com um adicional – reinventar a história que já merecera duas versões bem conhecidas, uma boa em 1933, outra ruim, de 1976 – cujo único mérito será ter introduzido no cinema a bela e talentosa Jessica Lange, embora ela não tenha motivos para orgulhar-se dessa estréia.

Essa renovação de um enredo que todos conhecem sempre encerra um alto risco – ainda mais com um orçamento estimado em mais de US$ 200 milhões, que resulta num filme de três horas (que era, aliás, a duração dos filmes da trilogia baseada em Tolkien). Mas Jackson tira seu prazer de cineasta de suas obsessões. King Kong era uma delas, desde que ele tinha 9 anos de idade.

A trama básica é mantida – nos anos 30, uma trupe de filmagem, liderada pelo cineasta Carl Denham (Jack Black, que tem uma curiosa semelhança física com o jovem Orson Welles), enfia-se num barco, rumo a uma ilha desconhecida. A bordo vai uma jovem atriz, Ann Darrow (Naomi Watts), um dramaturgo e roteirista, Jack Driscoll (Adrien Brody) e um galã canastrão (Kyle Chandler). Na ilha, todos eles e mais a tripulação do navio terão a aventura de suas vidas ao encontrar um gigantesco gorila de 7 metros de altura, King Kong. O epílogo será, como sempre, no alto do Empire State Building, em Nova York.

Algumas mudanças introduzidas por Jackson tornam esta sua versão memorável. Uma delas é a idéia de identificar a ilha desconhecida como um lugar onde vivem animais pré-históricos, como dinossauros – o que permite impressionantes e sangrentos confrontos entre vários tipos deles e o gorilão. Até os insetos são gigantescos – e o momento em que parte dos aventureiros sofre um ataque de vários deles é dos mais repelentes do filme, talvez mesmo dispensável, diante de todo o resto.

O gorila nunca antes foi mais humanizado. Suas expressões faciais e seu olhar têm nuances nunca vistas, graças ao uso do melhor da tecnologia disponível. Mas isso só funciona porque está a serviço de uma interação entre a fera e a bela vivida por Naomi Watts de uma forma também inédita.

Depois do natural terror de ser oferecida e capturada por tal criatura, a moça finalmente sente-se atraída por ele, depois que ele salva a sua vida dos tiranossauros. A partir daí, dança para ele, faz graça e tenta comunicar-se com ele – o que consegue. A cena em que os dois deslizam sobre o lago congelado do Central Park é de figurar em qualquer antologia do cinema. Há outros momentos assim, em que uma certa poesia penetra a ação frenética, como a parte final, no topo do Empire State.

É visível que Jackson tem uma ambição maior do que fazer um filme de entretenimento, o que inegavelmente também realiza. Ele intercala a história com momentos de humor e auto-ironia, que afastam um certo tempero trash contido na história. Além disso, o apelo romântico desse afeto impossível entre a bela e a fera instala de vez em quando um clima de fábula. Jackson procura atingir o mítico e, mais uma vez, consegue.

Neusa Barbosa


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