Reis e Rainha

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Sinopse

Nora é uma diretora de galeria de arte que planeja o seu terceiro casamento quando descobre que seu pai está seriamente doente. Ela pedirá ajuda a Ismael, um ex-namorado que acaba de se internar numa clínica psiquiátrica. Quando já davam por sua história por acabada, eles terão a chance de retomar de onde pararam.


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Crítica Cineweb

07/12/2005

Desde suas primeiras imagens – aos acordes de Moon River, o clássico que Henry Mancini criou para Bonequinha de Luxo – a comédia séria francesa Reis e Rainha mostra uma certa displicência proposital. A câmera está presente, mas é como se não estivesse. É como se os atores não estivessem atuando, não fossem personagens e sim pessoas cujas vidas foram capturadas por acaso. Ainda assim, o cineasta francês Arnaud Desplechin não emprega um estilo documental – é, na verdade, um estilo próprio, uma forma de filmar livre de amarras convencionais, tanto no campo da imagem quanto na narrativa.

Nesse sentido, Reis e Rainha requer um pouco mais de atenção e paciência – principalmente em sua segunda hora, quando a narrativa fica um pouco mais frouxa, acompanhando por muito tempo um personagem que não merecia tanta explicação. Ainda assim, a leveza visual e estilística de Desplechin pode compensar. O que fica evidente é que este é um cineasta pouco preocupado em polir sua narrativa. A força de seus filmes (como Esther Khan) está nas imagens, em sua câmera, em sua montagem.

Quem abre o filme, num delicado monólogo capturado quase que por acaso, é a bela Nora Cotterelle (Emmanuelle Devos), uma burguesa na casa dos trinta anos que se prepara para seu terceiro casamento enquanto cuida do pai agonizante. A câmera a acompanha em seu dia-a-dia, que inclui cuidar do pai, do filho pequeno e de uma galeria de arte. A outra ponta da história, que vai complementar essa personagem, está em Ismaël (Mathieu Amalric), ex-marido de Nora que, tomado por surtos depressivos, acaba internado numa clínica.

No roteiro de Desplechin e Roger Bohbot existe uma linha fina que conduz a narrativa – às vezes tão tênue que chega a sumir. Ao longo de suas duas horas e meia, Reis e Rainha entra em caminhos, meandros, veredas que levam a história ao passado de seus personagens, ou mesmo a uma nota de rodapé daquilo que está acontecendo. Ainda assim, a história vez por outra volta ao seu fio central. Com isso, o diretor busca mais ir a fundo nos sentimentos e emoções de seus personagens do que no factual que os levou a ter esses sentimentos e emoções. A ferramenta funciona na maior parte do tempo porque Desplechin tem a seu dispor intérpretes que compreenderam a dimensão de seus personagens e a proposta do cineasta.

Desplechin e sua câmera parecem estar apaixonados por Emmanuelle Devos, tamanha é a ternura com que ele consegue captá-la mesmo nos momentos mais densos. A platéia, por conseqüência, acaba se enamorando da atriz também.

Até o seu epílogo, Reis e Rainha irá evocar Moon River mais algumas vezes – inclusive ao final. Mas seria ingênuo demais pensar que Desplechin, sofisticado como é, está fechando um círculo. Longe disso: o longa acaba com diversas pontas soltas, embora deixe uma sensação de missão cumprida. O que vai perfeitamente ao encontro daquilo que parece ser a proposta do cineasta: mostra alguns momentos na vida de algumas pessoas, como se não existisse uma câmera fazendo isso. Enfim, comme il faut.

Alysson Oliveira


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