O Elo Perdido

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Sinopse

No século XIX, um grupo de exploradores ingleses vai até a África e captura um casal de pigmeus. Eles são levados para a Inglaterra para serem estudados e se tornam objeto de curiosidade. Acredita-se que as criaturas sejam o elo entre o macaco e homem.


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Crítica Cineweb

15/12/2005

As informações que chegavam ao Brasil por meio de publicações especializadas em cinema explicavam porque a estréia de O Elo Perdido foi consecutivamente adiada por estas terras. Mal elaborado, preconceituoso e irregular foram apenas alguns dos adjetivos ligados à co-produção franco inglesa, que abriu a 55ª edição do Festival de Berlim sob vaias e deboche.

O espectador tem o direito de compartilhar das mesmas opiniões dos jornalistas e críticos de cinema que assistiram ao filme na Alemanha. Ao abordar de forma controversa uma expedição ao Sul da África para capturar pigmeus e apontar o preconceito europeu do século XIX contra os negros, o filme se transforma em uma apologia clara ao racismo. Erro grosseiro de um diretor competente, Régis Wargnier, que além de não prestar atenção ao politicamente correto, mostra a evolução dos personagens de forma ingênua e intolerável.

Para entender um pouco melhor a trama, é preciso revisitar certas crenças científicas do século XIX. Acreditava-se que o berço da humanidade era a África, portanto, no continente estaria escondido o tal elo perdido, um humanóide entre o macaco e o homo sapiens. Como os africanos ainda eram vistos como inferiores, nessa raça estaria escondida a chave da evolução.

O filme começa, portanto, com uma expedição liderada pelo antropólogo Jamie Dodd (Joseph Fiennes) e a mercenária Elena Van Den Ende (a excelente Kristin Scott Thomas), em busca dos Pigmeus, habitantes naturais de florestas sul-africanas. Quando finalmente conseguem capturar dois exemplares, voltam para a Inglaterra, onde iniciam uma série de experimentos científicos para provar, de forma duvidosa, claro, que se tratam de sub-humanos.

O filme poderia claramente ser uma crítica ao pensamento paternalista europeu, ainda hoje em voga, uma bandeira contra o racismo, ou um grito pelo humanismo. O problema, infelizmente, é que se perde no desenrolar da história até se concretizar em um desfecho arrogante que apenas repete os mesmos erros morais, repudiados pelo diretor quando defende sua obra.

Como reconstrução histórica o filme é fraco, tal como é pobre sua condução. Uma surpresa vindo de Wargnier, responsável pelo vigoroso Indochina. O roteiro se equivoca em pontos cruciais que poderiam dar seriedade à produção, e o elenco, exceto por Kristin Scott Thomas, não consegue levar seus personagens de forma verossímil, mostrando um pobre trabalho com os atores e a má formação dramática de Joseph Fiennes. Um resultado amargo demais para ser indicado.

Rodrigo Zavala


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