O Fim e o Princípio

Ficha técnica

  • Nome: O Fim e o Princípio
  • Nome Original: O Fim e o Princípio
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2005
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 110 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Eduardo Coutinho
  • Elenco:

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País


Sinopse

No sertão da Paraíba, o cineasta Eduardo Coutinho filma alguns habitantes do sítio Araçá. Dá preferência aos moradores mais velhos, que falam de seus pensamentos, sonhos, idéias sobre a vida, a morte e o amor. A religião também está presente em muitas dessas conversas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/11/2005

Eduardo Coutinho expõe o avesso de seu método neste filme bem particular, que é uma espécie de soma de tudo o que o cineasta já fez – o invejável currículo que vai particularmente desde Cabra Marcado para Morrer (1985) até Peões (2004). O diretor abre mão de suas próprias ferramentas, como a pesquisa prévia de seus personagens, e sai a campo no sertão da Paraíba, à procura do material que ele mais conhece e melhor apresenta: pessoas comuns. Porque Coutinho é também o extremo oposto do culto à celebridade que contamina praticamente todos os setores da mídia e não só no Brasil.

Colocando-se pessoalmente no filme, tanto no som de um voice over como em cena conversando com seus personagens, Coutinho revela seu método que, curiosamente, quanto mais se vê menos se ensina – e nem a intenção é ensinar. Ele está na verdade compartilhando um modo não só de trabalhar como de ver as coisas, uma ética pessoal que transpira em seu trabalho até porque ambos são uma coisa só.

À procura de nada em particular, o cineasta encontra muitas pessoas singulares, na maioria velhos. Gente que tem muita história para contar e já acumula tempo suficiente sobre a Terra para ter sua própria opinião sobre a aventura humana e a morte. Como Zefinha, que viveu a seca em 1915. Ou a rezadora dona Mariquinha, que garante que “reza com o apelido da pessoa não vale, só com o nome todo”. Homens cheio de certezas, como Leocádio, que afirma ser de 87.000 léguas a distância até a Lua e, em outra passagem, questiona o próprio Coutinho sobre sua crença em Deus – uma provocação que enriquece a inteligência do filme.

Pelo tempo que ocupa em cena, vê-se que Leocádio é nitidamente um dos personagens preferidos do diretor, ao lado de Chico Moisés, outro que aparece em mais de um momento. Pragmático, Chico é daqueles que, como diz, acredita no que vê com os olhos e pega com as mãos. Mas alimenta em seu interior repertório místico o bastante para ter sonhos muito elaborados sobre o inferno.

Essa sabedoria popular instintiva, sem filosofia nem psicanálise, é o verdadeiro espetáculo deste filme simples e intenso. Simples até certo ponto. Requer uma certa disponibilidade, a começar pela atenção para decifrar a dicção de alguns deles. Um pequeno esforço que Coutinho acredita seja necessário para esse público especial que ele procura, que sairá recompensado ao final da sessão com um acréscimo em sua própria humanidade.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 14/11/2014 - 15h48 - Por REGINALDO DE CAMARGO OLA...
    MUITO BOM DOCUMENTÁRIO....A SIMPLICIDADE DO POVO, RETRADA DE UMA FORMA NATURAL E BEM A VONTADE....

    GOSTARIA DE SABER O CANTOR E O NOME DA MUSICA , NA HORA QUE APARECE A KOMBI COM A PROPAGANDA ELEITORAL...

    VALEU
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