O Signo do Caos

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País


Sinopse

Nos anos 40, Orson Welles filma no Brasil It´s All True, que fica inacabado por problemas na produção. As latas do filme desembarcam no Brasil e censores do governo Getúlio Vargas apreendem o material, para impedir que circulem suas imagens, consideradas realistas demais. Diversos personagens entram em cena, discutindo as várias posições diante da liberdade artística e do que é conveniente ou não para representar a imagem do País.


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Crítica Cineweb

08/11/2005

Praticamente dois anos após ter recebido os troféus de fotografia e direção no Festival de Brasília, em 2003, chega ao circuito de São Paulo e Rio de Janeiro o último filme do cineasta catarinense Rogério Sganzerla (1946-2004).

A demora em chegar às salas de cinema confirma a aura de maldito que por toda a vida cercou o diretor, conhecido praticante de um cinema de vanguarda, autor de O Bandido da Luz Vermelha (1968) e A Mulher de Todos (1969). Por conta da dificuldade para conseguir recursos para filmar seus projetos, Sganzerla ficou sete anos sem filmar, entre 1997 e 2003, quando realizou O Signo do Caos, que acabou sendo seu testamento artístico e simboliza justamente seu modo de ver e de fazer cinema: fragmentado, àspero, alegórico, verborrágico, irônico, livre, experimentador.

Mais uma vez, Sganzerla volta-se para sua obsessão preferida, a vinda do diretor Orson Welles para o Brasil nos anos 40 para a filmagem do inacabado It´s All True. A ousadia de Welles, a destruição de seu projeto brasileiro e seus conflitos com estúdios e produtores sempre inspiraram o brasileiro, que dedicou a isso três de seus filmes: o curta Linguagem de Orson Welles (1991) e os longas Nem Tudo é Verdade (1986) e Tudo é Brasil (1997).

Logo no início, observa-se a chegada das latas do filme It´s All True ao Brasil, sendo prontamente apreendidas pelo dr. Amnésio (Otávio Terceiro), símbolo dos censores do Estado Novo, do governo Getúlio Vargas (época em que Orson Welles veio ao Brasil), e cuja única intenção é banir a obra de qualquer possibilidade de exibição.

Diversos personagens entram em cena, um repórter, que defende a qualidade artística do filme de Welles que se tenta destruir. Ao inimigo da obra, que questiona “mas quem vai querer ver um filme na favela, com um bando de crioulos sambando?”, o jovem retruca: “”Isso é preconceito e preconceitos não são idéias”. Há uma coleção de frases e situações assim, que materializam o que, enfim, Sganzerla quer retratar, colocando a censura e a burocracia da produção cinematográfica como os dois principais inimigos da arte e da expressão de idéias.

Uma cínica ironia em relação à identidade nacional percorre toda a obra, como as cenas em que se assobia “Aquarela do Brasil” e que evocam seqüência do filme O Anjo Nasceu, do amigo Julio Bressane – com quem Sganzerla montou a produtora Bel-Air, em 1970, ano em que dirigiu Copacabana Mon Amour e Sem Essa Aranha, que ficou inédito em circuito comercial. Dois papagaios numa gaiola também funcionam como coro grego, tecendo irônicos comentários sobre os acontecimentos. Num momento, um diz: “Sétima arte? Odeio todas!.

Lutando para preservar a memória do marido, a atriz Helena Ignez procura produzir dois de seus roteiros, Luz nas Trevas e A Revolta da Luz Vermelha.

Neusa Barbosa


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