O Último Metrô

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Crítica Cineweb

08/01/2003

Dois homens e uma mulher ocupam o centro deste que foi um dos grandes sucessos de público e de crítica da carreira de François Truffaut. Mas o triângulo amoroso fica em segundo plano diante deste olhar ao mesmo tempo clínico e intimista sobre a França na época da Ocupação alemã de 1942.

Os alemães, carrascos notórios de todos os filmes sobre o período nazista, desta vez também estão em segundo lugar. Nenhum deles é mais sinistro do que os delatores franceses, que escreviam 1.500 cartas
por dia à Gestapo, denunciando vizinhos e conhecidos por serem judeus. O sempre incômodo fantasma do colaboracionismo ganha uma encarnação muito significativa na figura do jornalista Daxiat (Jean-Louis Richard), do jornal pró-alemão "Je Suis Partout", que funciona como crítico teatral e censor ao mesmo tempo.

Baseando-se em parte em suas próprias memórias de infância e em histórias contadas por seus pais e conhecidos, Truffaut escolheu montar uma crônica do cotidiano dos tempos da Ocupação, colocando ao centro dela um teatro, o Montmartre. Sua dona, a atriz Marion Steiner (Catherine Deneuve) luta para mantê-lo funcionando, depois que o marido e diretor Lucas Steiner (Heinz Bennent), um alemão de origem judaica, foi forçado a sumir de circulação.

Todos, inclusive seus colaboradores mais íntimos, crêem que Lucas fugiu da França. Na verdade, não teve tempo para isso. Vive escondido no porão do próprio teatro, dirigindo seu negócio clandestinamente, através das instruções que passa à esposa. Os cenários do filme, quase todos montados dentro de uma fábrica de chocolate desativada, condensam esses planos onde as sucessivas camadas da realidade se alternam.

Em seu esconderijo subterrâneo, Lucas encontra um buraco que lhe permite ouvir os sons do teatro. Assiste, assim, à distância, ao espetáculo e também aos dramas de sua vida real que se desenrolam nos camarins e no escritório do andar de cima. Dali mesmo, percebe que Marion, apesar de sua fachada de vida normal, está se apaixonando pelo novo ator da peça, Bernard Granger (Gérard Depardieu), um militante da Resistência.

Truffaut escrevera o papel de Bernard pensando em Depardieu, mas os dois ainda não se conheciam. Curiosamente, o ator não apreciava muito o diretor, o que deixou bem claro em seu primeiro encontro, como informa a cuidadosa biografia do diretor escrita por Antoine De Baecque e Serge Toubiana. A franqueza de Depardieu, inclusive neste ponto, cativou imediatamente Truffaut. E os dois teriam outra grande parceria juntos, em A Mulher do Lado (81) - onde, por coincidência, Depardieu viveria outro grande personagem com o nome de Bernard.

Aqui, Truffaut trabalhou como gostava. Depurou o roteiro, uma idéia que acalentava há dez anos. Filmou em rápidas pinceladas, como um pintor impressionista, demorando-se em cada plano apenas o suficiente para contar sua história - sem excessos, com economia de linguagem. O maior elogio ao seu trabalho, para ele, veio sintomaticamente de uma revista literária, a prestigiada "Lire", que considerou O Último Metrô um romance, mais do que um filme. Foi um raro caso de sintonia entre a crítica e o público, que coroou sua carreira nos cinemas com mais de um milhão de espectadores só em Paris na época do lançamento, em 1980. Os prêmios também choveram. A produção levou dez César, o mais importante troféu francês, inclusive o de melhor filme, diretor, ator (Depardieu), atriz (Catherine), além de fotografia (para Nestor Almendros).

Neusa Barbosa


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